Sem humildade, não dá!

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Um dos meus primeiros aprendizados aqui foi a importância da humildade para aproveitar ao máximo esta experiência. Humildade para se abrir ao novo, para aceitar que há muitas coisas para aprender, para reconhecer suas fraquezas, para aceitar que em um contexto tão diferente você já não é mais o que era antes (me refiro à cargo, empresa, prestígio, etc). Parece simples. Afinal, quem arriscaria dizer que não é humilde!? Mas não é! Digerir e aceitar sua nova condição, descobri, é um dos primeiros passos para começar uma nova caminhada. Me explico!

Primeiro fato: os sete anos trabalhando com o tema carreira me ensinaram que o mundo corporativo gera nos profissionais uma falsa sensação de poder. Não dá pra negar que ter uma empresa e um cargo bacanas estampados no cartão de visitas abrem portas! Não à toa muitos profissionais se deixam dominar por seus egos (nem preciso dizer quão corriqueiro isso é… basta pensar na sua empresa que certamente vão lhe ocorrer um ou um montão de casos assim). Por isso, aproveito para fazer um parênteses e compartilhar com vocês as sábias palavras que ouvi diversas vezes de um amigo e mentor: temos o desafio diário de lutar contra o nosso próprio ego, para que ele não se torne um monstro e nos cegue. #ficaadica

Continuando. Dentre as muitas reportagens que fiz na VOCÊ S/A, uma se encaixa muito neste papo. Trata-se de um perfil que fiz com o Nélio, um executivo que renunciou ao cargo de diretor em uma reconhecida multinacional, para seguir sua vocação e se tornar coach (dado importante: sua renda caiu 60%…mudança pra lá de radical e uma das mais inspiradoras que já conheci). Dentre tantos relatos interessantes, um me marcou. Foi exatamente sobre o preparo e o tempo para que ele digerisse e aceitasse sua nova condição, sem os benefícios que o cargo e a empresa lhe proporcionavam (vamos combinar que neste nível hierárquico nem há muitas portas a serem abertas…elas estão ali ao seu dispor).

Quase todos os dias me lembro dessa passagem. Guardadas as devidas proporções, vivo isso hoje e me reconheço na sua história. Assim como Nélio (que se tornou um grande e querido amigo), eu também tinha uma trajetória, um passado conhecido pelas pessoas do meu meio, uma situação cômoda para continuar a crescer. Agora estou recomeçando do zero. Entra aí a importância da humildade, para reconhecer que minhas experiências e conhecimentos, sim, têm muito valor, mas já não têm o mesmo peso e significado que teriam no Brasil. As pessoas não me conhecem, não sabem o que eu já construí, o que sou capaz de realizar. Nada disso. Sou eu e eu. Difícil encarar isso sem um preparo (mesmo com preparo não é das tarefas mais fáceis). Mas faz parte do rol de competências que uma mudança como essa te faz desenvolver, dia após dia.

Continuo minha aventura por aqui!

Em tempo, para quem ficou curioso, pode clicar aqui para ler a matéria com o Nélio. E um agradecimento especial a ele, pela história inspiradora que me proporcionou contar a vocês!

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15 responses »

  1. Querida Renata, que simpátido e bonito vc mencionar o seu amigo aqui. Muito obrigado pela lembrança. Bem-vinda ao clube da “virada”. Muita coisa boa pela frente. Pode acreditar !!! Vale muito a pena quando não abrimos mão dos nossos VALORES e do nosso PROPÓSITO de VIDA.
    Muitos beijos. VALEU !!! Adorei o blog. SHOWWWWWWWW.

  2. Renata querida dessa experiência você só poderá sair melhor e maior. Ser você mesma é o que há de mais poderoso. E ao invés de fazer disso uma bandeira, fazer uma forma de existência é extremamente libertador e pacificador. Aprendi que humildade é permitir-se conhecer o não conhecido. Só fica de joelhos quem sabe que tem a força de levantar!

    beijos

    • Nany, como sempre sábias palavras! “Abrir as portas” é realmente uma sensação libertadora. Não consigo entender as pessoas que querem passar por super-heróis….deve ser muito angustiante levar a vida assim. E é tão bom compartilhar suas dificuldades e fraquezas com os outros e ouvir histórias parecidas, gente que passa pelo mesmo que você ou, melhor, já passou por isso e pode te ajudar com o caminho das pedras. É isso que eu quero!!!

      Apareça sempre por aqui
      bjs

  3. Renata querida! Não sabia dessa tua mudança! Fico feliz pela tua nova experiência, pela tua coragem e pela sinceridade consigo mesma, a vontade de se assumir sempre uma aprendiz. Mudar de país não deve ser fácil, afinal acarreta na mudança de tantas outras coisas! A comida, a sonoridade, o movimento nas ruas, a maneira de lidar com o outro, o idioma! Nem é preciso ir tão longe para mostrar o quanto isso é um desafio. Estou em Salvador desde março, lugar em que sempre desejei morar, e mesmo no Brasil, sinto-me uma estrangeira (para muita gente aqui sou gringa! Imagina só! Ser branco na Bahia é um desafio, assim como ser negro no Brasil todo). Não sei se começar do zero é a expressão certa, pois sempre levamos conosco uma bagagem, uma história, mesmo que ela não seja conhecida no lugar para o qual optamos nos mudar. Mas entendo o que queres dizer, entendo essa espécie de recomeço. Foi assim em Sampa – um começo do começo – e está sendo assim em Salvador – um recomeço no meio de uma história já com vários capítulos interessantes. Certamente é um desafio ser humilde, livrar-se do ego. Eu mesma estou tendo uma experiência profissional surpreendente! Durante meio período, pela manhã, sou assistente (e por que não secretária) de um mega-executivo aposentado, dono de muitos bens que precisa de ajuda para administrá-los. Dou uma força a ele, ajudo-o a organizar a vida, e dedico minhas tardes ao restabelecimento dos frilas (com os quais cortei vínculo por um certo tempo, tu sabes) e a cultivo de novos projetos pessoais. E assim sigo, sentindo-me verdadeira comigo mesma, uma pessoa flexível, que abre os olhos para novas possibilidades, que evita se encerrar num conceito ou num status que precisa ser aprovado pelos outros para que eu me sinta aceita. Nessa toada, tenho conhecido pessoas lindas, verdadeiramente amigas. Assim como tenho mantido contato com queridos amigos dos velhos tempos, que sempre me dão apoio nas novas escolhas.

    Sendo assim, compartilho contigo dessas novidades e da sensação deliciosa que é embrenhar-se num novo mundo, ampliar o olhar, ver-se múltipla. Aproveita muito o México. Espero que um dia possa conhecer algo desta terra de que me falam tão bem.

    Grande beijo e muito boa sorte,
    Débora

  4. Muito legal o seu post Renata. É muito gratificante quando após superada esta etapa inicial percebemos que somos profissionais auto-suficientes e que ,mesmo sem uma marca no cartão ,podemos brilhar. Grande abraço e muito sucesso !

  5. Rezita, tá boa, santa? De fato, começar do zero é uma das coisas mais difíceis, cansativas. Mas tb não tem vícios, tem um horizonte incrível e muitos planos. Gosto de começar do zero, como vc bem sabe. bjs!

    • Pois é, Anne!!!! Os sabores e dessabores de começar do zero. Mas no final creio que são mais coisas boas do que ruins. Incrível como é um aprendizado intensivo!!!!

      Saudades de vc!!!
      BJs

  6. Há tempos coloquei uma tarefa (rs) “Ler o Blog da Re” e hoje, finalmente consegui fazer isso!
    Parabéns!!! Muito bem escrito e os temas são ótimos. Já havia lido a reportagem do Senhor dos Anéis na época em que fora publicada. Me marcou, entre outras coisas, porque foi bem quando estava fazendo minha transição de multinacional para consultoria / Coaching.
    Hoje minha remuneração é praticamente a mesma, mas temos que considerar que não era diretora como ele, e sim gerente. A qualidade de vida não dá para comparar. Hoje vivo muito melhor, trabalho bastante e a recompensa é enorme. Só uma ressalva: não creio que sirva para todos. Profissionais que valorizem em demasia segurança e estabibilidade, o sobrenome de uma grande empresa e os desafios corporativos, possivelmente se realizarão mais na vida executiva. Como o Nélio comentou, a transição vale a pena se nos mantivermos fiéis aos nossos valores e propósito. Já para quem, como eu, prioriza a autonomia e a criatividade empresarial, é uma bela opção. Agora, seja como empresário ou executivo, uma coisa é certa: quanto mais trabalhamos mais “sorte”temos!
    Bjo grande e continue com o blog, sempre!
    Flávia

    • Que bom que conseguiu chegar na tarefa, Flá! Espero que tenha gostado!
      Vivi de perto sua mudança, quando foi minha coach! Experiência boa que você me proporcionou. Minha decisão não deixa de ter seu dedinho!!! Obrigada!
      Concordo com você. Esta não é uma condição para qualquer um. Tem que ter disciplina, auto-controle e muita força de vontade. Eu, apesar de valorizar a autonomia e a possibilidade de empreender, como você bem sabe tenho na segurança uma certa bengala confortante. É exatamente isso que estou buscando desenvolver neste tempo sabático. =o)

      Bjs e apareça sempre aqui

  7. Pingback: Não basta mudar, também é preciso abrir a cabeça « MUDANÇAS DE RUMO

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