Monthly Archives: Janeiro 2012

Não basta mudar, é preciso também abrir a cabeça

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Sumi, não nego. Mas é que esta nova vida de estudante, profissional, “esposa” e responsável por uma casa (pra não dizer dona de casa) bagunçou minha rotina (que já estava quase encaminhadinha). Mas, aos poucos coloco meu dia-a-dia nos trilhos.

Já passei fases piores, mas confesso que há dias que tudo isso me causa muita ansiedade: por não conseguir fazer tudo o que quero, por não estar ainda no ritmo que eu gostaria, enfim. Mas esta semana ouvi de dois profissionais que respeito muito que tudo isso é normal e que é preciso mais do que três meses pra que estas coisas comecem a acontecer. Isso me deixa um pouco mais aliviada e com a missão de gerenciar minha ansiedade – ponto importantíssimo para quem quer mudar ou já fez uma mudança.

Mas em uma destas conversas que tive esta semana com a Nany, uma querida amiga (que além de uma pessoa com uma bagagem incrível, tem experiência em mudanças e suas implicações, já que viveu isso ao lado do marido, o Nélio, história que já contei aqui) me fez acender uma luz amarela. Ela me disse uma coisa que ainda não tinha pensado: quando mudamos de vida, de trabalho, de rotina ou o que quer que seja, uma forma natural de lidar com isso é nos mantermos presos aos nossas antigas crenças e costumes. Eu particularmente acho que essa é uma maneira inconsciente de nos sentirmos seguros diante de transformações muito grandes.

Enquanto ela falava, eu fazia uma análise rápida dos meus últimos três meses. E percebi que tenho feito isso! Mesmo tendo mergulhado de cabeça nesta mudança e esteja super contente com minha escolha, para algumas coisas minha cabeça continua funcionando da mesma forma. Ainda tenho na cabeça o perfil da “Renata antiga”, continuo lendo revistas de negócio e carreira como se fossem meus únicos interesses, esperando os mesmos resultados que tinha anteriormente e tentando repetir aqui no México meu modelo de vida antigo no Brasil. Isso é um erro, claro! Fazendo isso posso estar deixando passar outras oportunidades que não estou enxergando, porque continuo com os “óculos do passado”. Afinal, vivo dizendo aqui que mudar é se abrir ao novo (o que de fato acredito). Mas percebi que caí na armadilha da mudança, como boa parte das pessoas que mudam.

O desafio agora é maior, porque além de pensar coisas novas, como tenho feito, preciso me policiar para que meus velhos moldes não sabotem meus novos rumos em construção. Assim como a Nany me acendeu a luz (obrigada, minha amiga!) para isso, espero que este post também seja útil para quem quer dar uma virada (ou já a fez). Mais do que mudar de rumos, é preciso que a cabeça vá para o mesmo lado! #ficaadica

Mudar de rumos é bom, mas….

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…dá uma baita saudade!!!
Pra quem literalmente muda, dá saudade de casa, da família, dos amigos, de tudo! Já pra quem muda sem sair lugar, também deve dar saudades as vezes. Da rotina, do que poderia ter sido se não tivesse se arriscado, saudade de não ter medo (pra quem muda fisicamente isso tudo também vale!!).
Então, pra fechar esta semana – que pra mim foi bem agitada, com começos e recomeços que me deixaram animada – coloquei um vídeo que me enche de alegria. E ajuda a matar um pouco a saudade. Especialmente da minha cidade natal, que seguramente vou aproveitar muito mais quando voltar, já que hoje a vejo com um pouquinho de distanciamento (uns 9 mil quilômetros)!

Segue também uma versão menos piegas e saudosista! rs

Conhecendo (e convivendo) uma triste realidade

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Na minha primeira vinda ao México já notei algo que, depois, soube que era uma realidade aqui, visível a olho nú: a desigualdade social. Nas ruas, nos supermercados, nos shoppings, aonde quer que vá está ali, pra quem quiser ver. Meu primeiro choque foi em uma festa no ano novo de 2010-2011. Restaurante bacana (acessível aos bolsos brasileiros, que valem uns 20% mais aqui), festa bonita e gente de grana. E aí estava o ponto. As únicas pessoas dali que tinham aqueles traços indígenas, condizentes com o estereótipo de mexicano que conhecemos, eram os garçons.

O que mais choca não é a diferença ou os traços físicos associados a isso, mas o fato de aqui não ter meio termo. Ou você é pobre ou é rico (ah, ou é milionário). Bom, como jornalista, provo isso com números. Em dezembro foi publicado em um jornal local que o gap entre ricos e pobres está crescendo ainda mais no México, um dos países com maior desigualdade social no mundo. A renda de 10% da população mais rica daqui é 26 (sim, 26!!!) vezes maior que a de 10% da população mais pobre.

Sempre achei que no Brasil ainda fôssemos muito preconceituosos (vide o tal caso do aluno da USP agredido por um policial), com muita diferença de classes. Mas esta foi uma das primeiras crenças que caíram por terra quando me mudei. Longe de mim fixar aqui com discurso nacionalista ou de crítica ao México, ao contrário. Quero apenas ressaltar como ao mudar de rumos, ganhamos novos horizontes, derrubamos tabus e, acima de tudo, aprendemos a ver as coisas com outros olhos. Um bem enorme pra vida e pra carreira, com certeza!

É isso que você quer para o resto da sua vida?

Vídeo

Vi este vídeo ontem a noite no Facebook de um amigo, o Vlad. Achei genial e compartilho com vocês!

Se é assim que você se sente todo dia ao se levantar pra ir ao trabalho ou, de maneira geral, em relação à sua vida como um todo, será que não está na hora de mudar????

Ou você quer passar o resto dos seus dias desperdiçados com este marasmo, deixando as coisas rolarem ao seu lado sem que ao menos se dê conta????

Está na sua mão!

O primeiro dia de aula!

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Primeiros dias são sempre cheio de adrenalina e expectativas. Seja aos 5, 15, 30 ou 60 anos, imagino, seja de trabalho, escola. É um (re) começo, gente nova, novos conhecimentos e uma série de novidades que nem temos ideia. Hoje, mais uma vez, passei por esta experiência. Fui ao meu primeiro dia de aula no curso de espanhol. Acordei cedo, com medo de perder a hora, corri, para que tudo saísse bem. Ao entrar na universidade já senti aquele cheiro de escola. Não sei explicar. Talvez seja puro devaneio e pegadinha do meu cérebro, mas pra mim todas as escolas tem aquele mesmo cheiro….dá-lhe memória olfativa!
Foi como emergir e tomar fôlego. Não que eu me sentisse sufocada, ao contrário. Mas não posso negar que estar ali naquele ambiente universitário, descobrindo pessoas (a maioria esmagadora mais nova do que eu), salas, horários, ambientes – tudo novo – deu certa graça ao meu dia. Uma sensação de liberdade. Mais ainda, de vitória. Porque, não sei quanto a vocês, mas eu tenho uma tendência enorme a empurrar com a barriga tudo aquilo que de alguma forma me dá medo. Uma desculpinha aqui, outra ali. Pra mim mesma, o que é pior. Mas imagino que não estou sozinha nessa e isso passa em menor ou maior grau com muita gente.
Mas o grande barato desta “nova realidade” é que isso não funciona e, por bem ou por mal, tenho que enfrentar meus fantasmas e inseguranças – ou não saio do lugar, certo? Tem sido um bom exercício e aprendizado! Encarar de frente o desconhecido, o desconfortável, o novo, é muito gratificante (falo por mim, claro), principalmente depois que passa…rs. Pra mim, a melhor analogia seria com os exercícios físicos (de novo, falo por mim). Não gosto de ir, adio, tenho preguiça, mas quando vou, vale a pena pela sensação de conquista por ter vencido mais uma etapa (sem contar a “danada” da endorfina saltitando no corpo). Vamos ver o que me espera daqui pra frente.

O fenômeno da rosca…parte II

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Pra provar o que eu escrevi ontem sobre os reis magos e a rosca e dar uma real noção de como esta tradição é forte aqui, digitalizei alguns dos muitos anúncios que vieram em um jornal pequeno daqui.

Todos estes anúncios estavam em apenas um jornal (e não eram os únicos, mas os maiores)

Este investimento em publicidade tem uma razão muito clara. Estimam que até sexta-feira agora, dia 06, as panificadoras devem vender mais de 2 milhões de roscas, o que vai gerar mais de 200 milhões de pesos mexicanos (mais ou menos R$26 milhões e 600 mil) *sem contar as lojas de departamento, que também vendem roscas e são muitas aqui). E, por todo este fervor, não podia ser diferente. O clima esquentou lá no Zócalo, a praça principal do centro da cidade. Pra quem mora em SP, seria o equivalente à Praça da Sé.

Foi a maior rosca de Reys do mundo, com 720 metros, 9.375 kg e foi repartida entre 200 mil pessoas

O pessoal só de olho na rosca gigante!

O pessoal enfrentou o frio só pra pegar um pedacinho da rosca gigante!

E pra quem ficou curioso e queria provar esta gostosura tão tradicional, a imprensa daqui ajuda. CLIQUE AQUI e acesse a receita do pão e dos acompanhamentos (está em espanhol)

Vivendo o México

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E aí, recuperados das festas? Mesmo sem muito descanso, deu pra aproveitar um pouquinho. Nestes dias eu curto ainda mais estar aqui, porque viver festas ou comemorações tradicionais em uma cultura diferente (ainda mais a mexicana) é impagável!

Por exemplo, aqui, mais importante do que o bom velhinho são os três reis magos. Poderia apostar que as crianças vibram mais com o “trio parada dura” do que com a chegada do Noel. Não é pra menos, já que quem ganha presentes no natal, recebem apenas um regalo (em geral roupa). Já no dia 06 de janeiro, dia de Reis, são três mimos, um de cada maguinho, simbolizando os presentes que deram a Jesus. E aí, sim, os brinquedos rolam soltos – não à toa as promoções começam só depois disso. Ah, e você pode deixar três sapatos na árvore pra que eles deixem os presentes ali…a versão mais “casual” da botinha vermelha. Claro, isso não é regra, mas de forma geral é assim que acontece. Aliás, jamais me esquecerei da minha primeira interação com esta cultura, em janeiro do ano passado aqui…haviam três pessoas vestidas de reis magos dançando Shakira pra criançada, que vibrava!!! Sensacional.

Além dos presentes, no dia 06 tem a tradicional comilança da Rosca de Reyes. É uma rosca doce, coberta por frutas cristalizadas, crosta de açúcar e goiabada, que é acompanhada de uma bebida chamada atole ou atol (espécie de chocolate quente pré-hispânico, feito de milho). Por aqui só se fala (e vende) isso, aonde quer que você vá. E tem de todos os tamanhos. Desde as mais pequenas às gigantes. Na empresa onde meu noivo trabalha, por exemplo, o pessoal pára o trabalho pra comer a rosca e tomar o atole, com direito a discurso do presidente e tudo mais. É um evento!

A primeira rosca de reis a gente nunca esquece...por isso não aguentei esperar até o dia 06...ops

E os ritos não param por aí. Reza a tradição que dentro da rosca devem ter bonequinhos (simbolizam o menino Jesus), sim, como estes da foto abaixo. Eles ficam escondidos e o “felizardo” que os encontrar fica responsável por oferecer ao pessoal os tamales (uma pamonha de vários sabores, doce ou salgada) no dia 02 de fevereiro, Festa da Candelária (li várias coisas, mas não consegui entender bem do que se trata). Descobri ontem, lendo uma reportagem no jornal, que todo mundo foge do tal boneco. “Como disfrutar a rosca e fugir do bonequinho”, dizia a chamada.

Bonecos que simbolizam o menino Jesus: são escondidos dentro da rosca e quem encontrar deve convidar os amigos para comer tamales e tomar atole no dia 2 de fevereiro...aqui em casa quem encontrou fui eu!

Viver estas e outras experiências é que faz com que minha mudança esteja valendo cada segundinho. Além das histórias pra contar, vou guardar (e quem sabe replicar) cada uma delas pra sempre!

Ah, em tempo, hoje é um dia muito feliz, de mais uma etapa cumprida. Saiu meu visto de permanência. Já não sou mais uma imigrante….pequenas conquistas, grandes sensações! =o)