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E se?

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Essa é uma pergunta que vira e mexe ronda minha cabeça. Acho que deve acontecer com todo mundo. Ainda que as pessoas, para não mostrar “fraqueza”, digam que não, é impossível não passar por isso, imagino. A vida é cheia de escolhas, há infinitas combinações entre todas elas, o que poderia nos levar a infinitas variáveis. Progressão geométrica a parte, o que quero dizer é que não tem como não pensar, vez ou outra, no que poderia ter sido se…

Essa semana me peguei pensando nisso, em um dia meio chatinho. De coração, não tenho um milímetro de arrependimento e cada segundo aqui, fáceis ou difíceis, tem valido uma vida de experiências. Mas, novamente, inevitável cogitar cenários distintos. “E seu eu tivesse ficado no Brasil?”, “E se eu tivesse vindo, mas de outra maneira?”. Os pensamentos não duraram muito, mas tempo suficiente pra me fazer pensar que é uma grande perda de tempo e um atraso de vida pensar nisso. Ainda que eu saiba que vai me passar outras vezes e, sim, me permito passar por isso. Por quê não? (ultimamente tudo é filosofia pra mim…rs)

Essa é outra armadilha que as mudanças de vida nos colocam, mas tenho aprendido que o antídoto pra isso é simplesmente não pensar (ao menos tentar). Uma porque se ficarmos pensando em todos os “e se” da vida, verdadeiramente vamos ficar enlouquecidos. Segundo ponto é que simplesmente não podemos fazer nada com o que passou e as consequências das nossas decisões. Ou seja, vamos pensar pra frente, no que está por vir, que é do que temos certo controle.

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Vivendo o México

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E aí, recuperados das festas? Mesmo sem muito descanso, deu pra aproveitar um pouquinho. Nestes dias eu curto ainda mais estar aqui, porque viver festas ou comemorações tradicionais em uma cultura diferente (ainda mais a mexicana) é impagável!

Por exemplo, aqui, mais importante do que o bom velhinho são os três reis magos. Poderia apostar que as crianças vibram mais com o “trio parada dura” do que com a chegada do Noel. Não é pra menos, já que quem ganha presentes no natal, recebem apenas um regalo (em geral roupa). Já no dia 06 de janeiro, dia de Reis, são três mimos, um de cada maguinho, simbolizando os presentes que deram a Jesus. E aí, sim, os brinquedos rolam soltos – não à toa as promoções começam só depois disso. Ah, e você pode deixar três sapatos na árvore pra que eles deixem os presentes ali…a versão mais “casual” da botinha vermelha. Claro, isso não é regra, mas de forma geral é assim que acontece. Aliás, jamais me esquecerei da minha primeira interação com esta cultura, em janeiro do ano passado aqui…haviam três pessoas vestidas de reis magos dançando Shakira pra criançada, que vibrava!!! Sensacional.

Além dos presentes, no dia 06 tem a tradicional comilança da Rosca de Reyes. É uma rosca doce, coberta por frutas cristalizadas, crosta de açúcar e goiabada, que é acompanhada de uma bebida chamada atole ou atol (espécie de chocolate quente pré-hispânico, feito de milho). Por aqui só se fala (e vende) isso, aonde quer que você vá. E tem de todos os tamanhos. Desde as mais pequenas às gigantes. Na empresa onde meu noivo trabalha, por exemplo, o pessoal pára o trabalho pra comer a rosca e tomar o atole, com direito a discurso do presidente e tudo mais. É um evento!

A primeira rosca de reis a gente nunca esquece...por isso não aguentei esperar até o dia 06...ops

E os ritos não param por aí. Reza a tradição que dentro da rosca devem ter bonequinhos (simbolizam o menino Jesus), sim, como estes da foto abaixo. Eles ficam escondidos e o “felizardo” que os encontrar fica responsável por oferecer ao pessoal os tamales (uma pamonha de vários sabores, doce ou salgada) no dia 02 de fevereiro, Festa da Candelária (li várias coisas, mas não consegui entender bem do que se trata). Descobri ontem, lendo uma reportagem no jornal, que todo mundo foge do tal boneco. “Como disfrutar a rosca e fugir do bonequinho”, dizia a chamada.

Bonecos que simbolizam o menino Jesus: são escondidos dentro da rosca e quem encontrar deve convidar os amigos para comer tamales e tomar atole no dia 2 de fevereiro...aqui em casa quem encontrou fui eu!

Viver estas e outras experiências é que faz com que minha mudança esteja valendo cada segundinho. Além das histórias pra contar, vou guardar (e quem sabe replicar) cada uma delas pra sempre!

Ah, em tempo, hoje é um dia muito feliz, de mais uma etapa cumprida. Saiu meu visto de permanência. Já não sou mais uma imigrante….pequenas conquistas, grandes sensações! =o)

No meio do caminho tinha…

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…um monumento majestoso!!!

Foi andando despretensiosamente pelas ruas da Cidade do México, num sábado afobado em busca de um posto da companhia de luz chilanga (nome que se dá às coisas ou pessoas que são na Cidade do México) que nos deparamos com esta incrível e gigante construção. Assim, ao acaso, sem querer! inevitável soltar um “UAAAU”, mesmo no meio da nossa correria.

Olha o que encontramos acidentalmente por aqui! Um monumento idealizado em 1897, que começou a ser construído em 1910, mas só foi finalizado em 1938.

Descobrir o México tem sido um dos grandes baratos desta mudança. Não sei quanto a vocês, mas antes de vir pra cá pela primeira vez, conhecia pouco daqui. Ao ouvir a palavra “México”, certamente as coisas que viriam à minha cabeça espontaneamente seriam: Chaves, Chapolin, Caribe, tequila, Mariachi, ligeirinho, “ai ai ai”, “arriba” e narcotráfico, não necessariamente nesta ordem. Mas ao contrário do que imaginava, andar pela Cidade do México (e em outras cidades mexicanas também) é uma aventura pela história e topar com estas “surpresas arquitetônicas” é comum! Por isso, também quero contar um pouquinho deste México desconhecido por aqui…não deixa de ser uma mudança de rumo, não é!?

Bom, na volta, não tinha como deixar de dar aquela paradinha pra desbravar a descoberta. Aliás, além do mega monumento, várias pessoas se deliciavam na sinfonia de jatos de água que brotavam do chão (dá pra conferir no vídeo que fiz e coloquei no final deste post!)…20 minutos de água ritmada, 40 de descanso. E assim a diversão fica garantida pelo dia todo (mesmo com o frio danado que anda fazendo por aqui).

Logo descobrimos que o monumento de 63 metros de altura, idealizado para ser o mais exuberante Palácio Legislativo da época, tem vários atrativos. Em 2010, foi inaugurado um elevador panorâmico que nos levou a 57 metros de altura para ver a cidade láááá do alto…com direito a cafeteria para ajudar a desfrutar do momento! A construção é também um mausoléu, com os restos mortais dos heróis da revolução…semi-deuses por aqui! E é ali também, bem embaixo das toneladas de ferro e concreto, que está o Museu de la Revolución, inaugurado em 1986 para celebrar a revolução de 1910 (um marco aqui). Não fomos ao museu, porque estava meio cheio e, confesso, a fome bateu! Mas valeu pela vista lá de cima (dizem que 360 degraus a separam do chão)!

E certamente voltarei. Afinal, mudanças de rumo devem vir acompanhadas de novas bagagens…quero as minhas cheias!!!

Para “turistear” por aqui:
Monumento a la Revolución
ONDE? Plaza de la República, S/N (Colônia Tabacalera, Delegación Cuauhtémoc)
O QUE TEM LÁ? Mausoléu dos heróis da Revolução de 1910, mirante de 57 metros de altura com vista 360 graus e Museu de La Revolución
ARQUITETOS: Emile Benard – Carlos Obregón Santacilia
QUANTO? $23,00 (pesos mexicanos) para o mirante e $40,00 (estudantes, professores, idosos e crianças pagam $20,00)
HORÁRIOS DO MIRANTE: terça a quinta, de 10h-18h / sexta e sábado: 10h-22h / Domingo: 10h-20h
HORÁRIOS DO MUSEU: terça a domingo, de 9h-17h

A vida é hoje!!! Por que não?

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Esta música é uma das preferidas da minha mãe. Mais do que ouvir e matar um pouco a saudade dela, resolvi começar assim este post, porque a letra é incrível e tem tudo a ver com o tema de hoje. Vale MUITO a pena ouvir, quantas vezes for!

Tinha um texto preparado, mas mudei os planos com a notícia que recebi da minha amiga Valéria (uma jornalista que conheci trabalhando). Ela me contou sobre a morte súbita de um executivo com quem trabalhou e que eu entrevistei algumas vezes. Este executivo, o Pedro, tinha pouco mais de 30 anos e na sexta-feira teve um infarto fulminante.

Escrevo sobre isso não para criar um climão, mas porque histórias como essa ajudam a refletir sobre o que fazemos das nossas vidas, do nosso tempo e do nosso poder de escolha. Não conhecia muito o Pedro, não sei quantas horas trabalhava por dia, nem se tinha outras atividades. Mas sei que o trabalho era uma de suas prioridades. Conheci muitos profissionais que perderam o vínculo com a vida fora do escritório. Muitas vezes eles deixam de arriscar, de viver histórias diferentes, de sair da zona de conforto e de buscar coisas novas, por medo de perder a pseudo estabilidade e segurança que o trabalho traz.

Independente da trajetória do Pedro – que pode ter sido cheia de mudanças e busca pelo novo -, sua morte precoce me dá ainda mais certeza de que tomei a decisão correta ao “arriscar”. Não queria passar o resto da minha história frustrada por não ter vivido o que estou vivendo agora. Porque a vida é hoje e o que vale são nossas experiências e os exemplos que deixamos. Que o Pedro encontre descanso e aproveite bem as novas coisas que estão por vir, aonde quer que esteja!

PS: Minha amiga Val mora hoje em Rennes, na França. É uma guerreira que também fez uma grande e inspiradora mudança, que um dia conto pra vocês!