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Tajín: tem como não amar???

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Dia 19 de março foi feriado no México. Na verdade o feriado foi dia 21, uma quarta, mas aqui há o costume (A-MO!!!) de jogar para segunda ou sexta um feriado que caia durante a semana (essa moda podia pegar, não!?). Resolvemos fazer um programinha por aqui, para conhecer mais alguma parte do México. Mas, como bons brasileiros, deixamos para os 45 do segundo tempo e, acreditem, já não haviam mais hotéis disponíveis nos nossos destinos elegidos. Então tivemos que ir no “pode ser” e compramos um pacote nestes sites de compra coletiva pra testar.

Saímos daqui na sexta pela noite e depois de uma dolorida e desconfortável noite de ônibus mal dormida, chegamos à Tecolutla, cidadezinha pesqueira à sudeste da Cidade do México, lá no Golfo do México (ela pertence ao estado de Veracruz). A praia é feinha e o lugar bem simples. Não curti muito. Brasileiro quando vai pra praia no México quer encontrar água cristalina, azuuul, areia branca. No Golfo do México, esquece! Tecolutla é uma praia grande mexicana (pra quem é de SP sabe do que estou falando). Aliás, mais por dentro da cultura mexicana, impossível!

Mas o melhor estava por vir. No domingo fomos visitar uma das mais importantes zonas arqueológicas do México: El Tajín. Fica a uns 50 minutos de Tecolutla, pertinho da cidade de Papantla, cidade famosa pelos tradicionais Voladores de Papantla. É bem bacana, mas as preliminares são bem demoradinhas e chega a encher um pouco.

El Tajín é constituído por aproximadamente 180 pirâmides e construções pré-hispânicas e 17 campos de jogo de bola, numa área de mais ou menos 221 hectares. Mas só 40 pirâmides e 6 campos, em 20 hectares são abertos pra visitação. Gigantesca cidade habitada pelos totonacas (povo dos 3 corações, na língua totonaca)!

Visão de um ponto mais alto en Tajín. O que se vê na foto não é nem metade do que visitamos

A cidade de Tajín (em totonaca, cidade do raio, trovão ou relâmpago) floresceu entre os séculos VI e XII, até ser, acreditam os antropólogos e historiadores, invadida por povos inimigos (Os totonacas eram pacíficos). O que a difere em relação às demais zonas arqueológicas do país é sua arquitetura, com construções cheias de nichos (buraquinhos que parecem janelas). Outro elemento muito presente nas construções e que nos encantou é a greca, que simboliza o vento (com o calor que faz lá, têm mais é que reverenciar qualquer ventinho que sopra…rs)

Um dos edifícios, decorado de ponta a ponta com as características grecas

Mas dentre tantas coisas incríveis, nesta verdadeira viagem no tempo, a Pirâmide dos Nichos, a mais famosa de lá, é de deixar qualquer um boquiaberto. Não nos cansamos de tirar fotos e de ficar ali, contemplando aquela maravilha. Ela se chama assim porque é composta por 365 nichos (os buraquinhos, janelinhas), representando os dias do ano, que para os totonacas era dividido em 18 meses. Me diz como eles conseguiram arquitetar uma coisa dessas com tanta perfeição!?

Outra coisa que traz uma história incrível são os campos de jogo de bola. Esse era um jogo tradicional (pelo o que entendi) entre os povos préhispânicos. Mas, não vamos imaginar um campeonato de bola, gente torcendo (ainda que tenham arquibancadas), briga de torcida. Não. O jogo acontecia em dias festivos, era jogado apenas por homens e o objetivo era acertar num aro vertical a bola de borracha extraída de uma árvore (imagino que a seringueira), que pesava 2,5 kg (as oficiais de futebol pesam cerca de 350 gramos). Com este peso todo, cabeça e pés estavam descartados. O jogo, então, era jogado com cotovelos, quadris e joelhos. Eles traziam protetores e mesmo assim há relatos de que muitos tinham que extrair o sangue pisado do corpo. Ui! Mas o interessante é que este era um jogo de um gol só, tamanha dificuldade em acertar o aro. O cara que acertava a bola era considerado tão, mas tãããão bom, que acreditavam que era um indicado dos deuses. Ganhava dinheiro totonaca? Virava rei do povo? Uma semana de férias? Não. Nada mais justo do que ser sacrificado e ir pra junto dos deuses. Cruz credo!

Agora, diz. Tem como não amar??? São coisas como essa que me encantam aqui no México, esse país tão fascinante!

Ah, já ia esquecer: pra finalizar o dia, depois de mais de 2 horas de caminhada, foto, explicações e muito, mas muito sol na moleira, fomos comprar umas frutinhas vendidas por um montão de mulher. Uma espécie de mercado do ouro das arábias. Elas ficam do lado de fora do parque, separadas por uma corda, enfileiradas e gritando horrores para competir na venda das frutas. E como um bom aperitivo que se preste tem que vir acompanhado de pimenta, por que não né!? Arribaaaaaaaa

O que: zona arqueológica El Tajín
Onde: A sudeste da Cidade do México, no estado de Veracruz (na região do Golfo do México)
Como: Quem vem da cidade do México a melhor forma é pegar um ônibus para Tecolutla ou para Papantla, ambas no estado de Veracruz.
Quanto: 51 pesos mexicanos por pessoa (mais o guia para quem quiser), mas gratuito para menores de 13 anos, professores, estudantes, idosos e aposentados.
Quando: segunda a domingo, de 9 as 17h

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Tradições de aniversário mexicanas

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Em tempo. Comemorar aniversário, imagino, não deve variar tanto de país para país. imagino que no oriente, sim, deve ter suas peculiaridades, mas nas bandas ocidentais, a base é a mesma. Mas, pequenas ou grandes, o fato é que estas variações acabam fazendo nosso dia mais feliz quando mudamos de ares e estamos longe da família. Pelo menos fizeram o meu. Então neste post vou contar a vocês as pequenas diferenças (pelo menos as que notei) entre as comemorações de aniversário no Brasil e no México.

A começar pelo “parabéns a você”! Não espere encontrar aqui no México a musiquinha clássica pra hora de cortar o bolo, nos restaurantes ou coisa do tipo. A música entoada aqui pra celebrar os aniversariantes é “Las Mañanitas”. Não se sabe bem a origem da música, ninguém sabe quem foi e qual a importância do Rei Davi cantado ali, mas o fato é que ela é a canção oficial destas datas. Pra quem quiser conhecer, segue uma das versões (são muitas!!!). Ah, como no meu aniversário estavam presentes um mexicano, uma francesa, uma colombiana e dois brasileiros, levamos alguns minutos cantando todas as versões, uma de cada país. Muy divertido!

Outra coisa que difere aqui é a tradição do “corte do bolo”. Pelo o que entendi não tem muito ritual, como escolher um lado, fazer pedido e dar o primeiro pedaço a alguém especial. Em compensação, o aniversariante TEM que comer o primeiro pedaço, digamos, de forma um pouco excêntrica….dando uma abocanhada no bolo inteiro. E, claro, reza a tradição que os espíritos de porco dão aquele “pedala” e acontece uma espécie de “torta na cara”. Segui a tradição e mordi o bolo. Mas com a promessa de que ninguém me afundaria a cara. Deu quase certo, como vocês podem ver abaixo.

Aqui no México a tradição diz que o aniversariante tem que morder o bolo antes de todo mundo...não se pode ir contar as tradições, não é!?

Ah, uma outra coisa em relação ao bolo é que o aniversariante não pode ser quem vai cortar e distribuir os pedaços. Nem o primeiro nem nenhum outro. Parece que dá azar. Costume é costume. Cortei o primeiro pedaço, dei de presente (como no Brasil) e depois fiquei só acompanhando (como no México).

Por fim, tem as piñatas. Ela é mais comum em aniversário de criança. Não vou dizer que não quis usar. Mentira! Queria tudo que tinha direito, mas infelizmente não dei tempo! Nas festinhas infantis ela é presença obrigatória. Tem a tradicional (em forma de estrela de 6 ou 8 pontas) e as de personagens (pra todos os gostos). Pra quem assistiu Chaves na infância sabe do que eu estou falando. É uma espécie de boneco ou forma geralmente de papel marché, cheia de doces e brinquedos. O aniversariante e convidados (não tenho certeza) têm seus olhos vendados e têm que acertar a piñata com um bastão. A ideia é que ela quebre e tenha uma chuva de comidinhas! A origem da piñata é uma história bem legal, mas vai ficar pra um outro post.

As piñatas são indispensáveis nos aniversários (especialmente infantis) por aqui. Tem desde as mais tradicionais (duas primeiras) até as mais arrojadas, de personagens famosos

Se alguém conhecer outras tradições de aniversário de outros países, escreva pra contar!!!

México, um país, muitas crenças

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Ontem foi quarta-feira de cinzas. Ainda que não tenha aqui AQUELE carnaval do Brasil e esta tenha sido uma semana como qualquer outra, a data religiosa foi lembrada e celebrada em terras mexicanas. Eu já sabia sobre este “festejo”, mas só ontem é que me dei conta da proporção.

A primeira menção à data com que me deparei foi uma grande faixa, quase na entrada da minha universidade, com uma pequena foto de Cristo carregando a cruz e abaixo escrito “miércoles de ceniza”. Simples e objetivo. Vale lembrar que não se trata de uma instituição de ensino ligada à igreja. Mal terminava de ler, me vi frente a frente com um grupo de meninas (com uns 17 anos), todas com uma coisa preta no meio da testa. Sabe quando a ficha demooooora a cair? Pensei em trote de universidade, pensei em uma nova moda, despedida de solteira, festinha de aniversário, mil coisas. Até que, tliiinnn…saquei!

As estudantes estavam com uma cruz de cinzas na testa. E assim como elas, uma grande parte das pessoas. Aonde quer que eu fosse, lá estavam as cruzinhas na testa do jovens, velhos, homens e mulheres. Na rua, na universidade, no boliche, no trabalho do meu noivo, nos restaurantes. Uma invasão de cruz negra na testa, daquelas de você se sentir mal por não estar com uma igual! rs

Fui atrás de explicações, claro, e descobri que este é um ritual suuuper praticado aqui neste dia. As pessoas vão à missa e recebem esta cruz, que simboliza arrependimento e um sinal de humildade perante a Deus. Está muito relacionado aquela passagem que diz “das cinzas veio, às cinzas vai”, ou seja, vamos todos pro mesmo lugar, portanto, somos todos iguais.

O Brasil é um país cheio de tradições, cultos, religiões e costumes. Tem o maior percentual de católicos do mundo (68% da população, número que já foi de 99%), mas eu, sinceramente, nunca tinha visto isso antes. Pode até ser que haja isso, mas seria uma grande surpresa pra mim.

Enfim, vivendo e aprendendo! Mais uma pro nosso “álbum” de experiência e conhecimentos novos.

Conhecendo (e convivendo) uma triste realidade

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Na minha primeira vinda ao México já notei algo que, depois, soube que era uma realidade aqui, visível a olho nú: a desigualdade social. Nas ruas, nos supermercados, nos shoppings, aonde quer que vá está ali, pra quem quiser ver. Meu primeiro choque foi em uma festa no ano novo de 2010-2011. Restaurante bacana (acessível aos bolsos brasileiros, que valem uns 20% mais aqui), festa bonita e gente de grana. E aí estava o ponto. As únicas pessoas dali que tinham aqueles traços indígenas, condizentes com o estereótipo de mexicano que conhecemos, eram os garçons.

O que mais choca não é a diferença ou os traços físicos associados a isso, mas o fato de aqui não ter meio termo. Ou você é pobre ou é rico (ah, ou é milionário). Bom, como jornalista, provo isso com números. Em dezembro foi publicado em um jornal local que o gap entre ricos e pobres está crescendo ainda mais no México, um dos países com maior desigualdade social no mundo. A renda de 10% da população mais rica daqui é 26 (sim, 26!!!) vezes maior que a de 10% da população mais pobre.

Sempre achei que no Brasil ainda fôssemos muito preconceituosos (vide o tal caso do aluno da USP agredido por um policial), com muita diferença de classes. Mas esta foi uma das primeiras crenças que caíram por terra quando me mudei. Longe de mim fixar aqui com discurso nacionalista ou de crítica ao México, ao contrário. Quero apenas ressaltar como ao mudar de rumos, ganhamos novos horizontes, derrubamos tabus e, acima de tudo, aprendemos a ver as coisas com outros olhos. Um bem enorme pra vida e pra carreira, com certeza!

O que você pode aprender com o Chaves (aquele da vizinhança)

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Mudar de rumos é, além de se abrir ao novo, conhecer melhor personagens e histórias que já faziam parte da sua vida e, porque não, tirar lições disso! Tenho tido esta oportunidade aqui. Mais do que rever a minha própria trajetória, tenho ido mais fundo na história da Frida Kahlo, das civilizações que habitaram este território antes da colonização espanhola, para entender o porquê de alguns hábitos daqui e….conhecer mais a fundo a história do Chavo del Ocho (o Chavito, aquele da vila, do sanduíche de presunto e dos ‘Chuuuuros’).

Ok, admito, sou “Chavomaníaca” desde criança. Assisti todos os episódios que passaram no Brasil. Não tenho vergonha de dizer isso, ainda mais hoje, quando entendo o significado desta série para a história da TV. Criada em 1971 pelo Chespirito (apelido do Roberto Bolaños), a trama está no ar ininterruptamente há 40 anos. Que programa chegou aí???Enredo simples, personagens simples, mas capaz de fazer sucesso geração após geração (meu pai até hoje gosta de ver, eu vi muito e minhas sobrinhas adooooram o Chavito). O programa ganhou horário nobre na Televisa (principal emissora mexicana), foi transmitida em vários países da América Latina (em espanhol e português) e também teve traduções em japonês, francês e italiano (li uma vez que também foi transmitida no Marrocos e na Índia).

Pra mim, o segredo de sucesso do Chaves e o aprendizado, pessoal e profissional que se pode tirar daí é a simplicidade. Seja na vida ou no trabalho, a tendência é sempre acharmos que só o novo, as coisas complexas e mais rebuscadas é que devem ser levadas em conta. Discordo. Via de regra, quanto mais simples, direto e objetivo, melhor. No nosso trabalho na redação da VOCÊ S/A, por exemplo, o desafio sempre foi contar ao leitor sobre um determinado tema da forma mais clara e objetiva possível, sem rodeios. Chaves é o que é, sem lero-lero.

Mas também dá pra tirar lições do fracasso do Chaves. Apesar do sucesso na frente das telas, nos bastidores os atores brigam entre si há anos. Na minha opinião, o estrelismo e o ego foram o calcanhar de Aquiles. O projeto fez tanto sucesso, que cada um começou a querer pegar os louros pra si e tirar vantagem daquilo. Esqueceram que o sucesso não estava no personagem X ou Y, mas naquela turma toda junta, na equipe. Parece papo piegas, mas é exatamente isso.

Quero compartilhar esta história com vocês, para que me digam se concordam ou não. Pra isso, postei abaixo um documentário que vi na TV Azteca semana passada. MUITO legal e vale a pena cada minutinho….ainda que esteja em espanhol, se você não fala o idioma, assiste mesmo assim…dê uma chance ao novo!

No meio do caminho tinha…

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…um monumento majestoso!!!

Foi andando despretensiosamente pelas ruas da Cidade do México, num sábado afobado em busca de um posto da companhia de luz chilanga (nome que se dá às coisas ou pessoas que são na Cidade do México) que nos deparamos com esta incrível e gigante construção. Assim, ao acaso, sem querer! inevitável soltar um “UAAAU”, mesmo no meio da nossa correria.

Olha o que encontramos acidentalmente por aqui! Um monumento idealizado em 1897, que começou a ser construído em 1910, mas só foi finalizado em 1938.

Descobrir o México tem sido um dos grandes baratos desta mudança. Não sei quanto a vocês, mas antes de vir pra cá pela primeira vez, conhecia pouco daqui. Ao ouvir a palavra “México”, certamente as coisas que viriam à minha cabeça espontaneamente seriam: Chaves, Chapolin, Caribe, tequila, Mariachi, ligeirinho, “ai ai ai”, “arriba” e narcotráfico, não necessariamente nesta ordem. Mas ao contrário do que imaginava, andar pela Cidade do México (e em outras cidades mexicanas também) é uma aventura pela história e topar com estas “surpresas arquitetônicas” é comum! Por isso, também quero contar um pouquinho deste México desconhecido por aqui…não deixa de ser uma mudança de rumo, não é!?

Bom, na volta, não tinha como deixar de dar aquela paradinha pra desbravar a descoberta. Aliás, além do mega monumento, várias pessoas se deliciavam na sinfonia de jatos de água que brotavam do chão (dá pra conferir no vídeo que fiz e coloquei no final deste post!)…20 minutos de água ritmada, 40 de descanso. E assim a diversão fica garantida pelo dia todo (mesmo com o frio danado que anda fazendo por aqui).

Logo descobrimos que o monumento de 63 metros de altura, idealizado para ser o mais exuberante Palácio Legislativo da época, tem vários atrativos. Em 2010, foi inaugurado um elevador panorâmico que nos levou a 57 metros de altura para ver a cidade láááá do alto…com direito a cafeteria para ajudar a desfrutar do momento! A construção é também um mausoléu, com os restos mortais dos heróis da revolução…semi-deuses por aqui! E é ali também, bem embaixo das toneladas de ferro e concreto, que está o Museu de la Revolución, inaugurado em 1986 para celebrar a revolução de 1910 (um marco aqui). Não fomos ao museu, porque estava meio cheio e, confesso, a fome bateu! Mas valeu pela vista lá de cima (dizem que 360 degraus a separam do chão)!

E certamente voltarei. Afinal, mudanças de rumo devem vir acompanhadas de novas bagagens…quero as minhas cheias!!!

Para “turistear” por aqui:
Monumento a la Revolución
ONDE? Plaza de la República, S/N (Colônia Tabacalera, Delegación Cuauhtémoc)
O QUE TEM LÁ? Mausoléu dos heróis da Revolução de 1910, mirante de 57 metros de altura com vista 360 graus e Museu de La Revolución
ARQUITETOS: Emile Benard – Carlos Obregón Santacilia
QUANTO? $23,00 (pesos mexicanos) para o mirante e $40,00 (estudantes, professores, idosos e crianças pagam $20,00)
HORÁRIOS DO MIRANTE: terça a quinta, de 10h-18h / sexta e sábado: 10h-22h / Domingo: 10h-20h
HORÁRIOS DO MUSEU: terça a domingo, de 9h-17h

Convivendo com as diferenças

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21% dos mexicanos candidatos a uma vaga de emprego chegam atrasados à entrevista. Este dado, da empresa de RH Universo Laboral foi publicada na semana passada no Publimetro (reportagem completa, AQUI, nas páginas 33 e 34).

Não me espanta nem um pouco. Desculpem os amigos mexicanos, mas se tem uma coisa que me tira do sério e com a qual provavelmente não vou me acostumar aqui é a falta de pontualidade e compromisso com horários. Ok, nós brasileiros não temos muita moral no assunto. Mas é que a coisa aqui é tão arraigada (hábito cultural mesmo), que, acho, só quem vem de fora tem noção da intensidade disso. Em quase dois meses, raras foram as vezes em que não tenha ficado plantada por pelo menos 40 minutos esperando por alguém. E não pensem que rola um “desculpe pelo atraso”. Não mesmo! É normal e ponto. E acho que esta é a diferença. Os brasileiros se atrasam, mas pedem desculpas, em alguns casos com uma desculpa esfarrapada.

Agora, quando você muda a um novo lugar, uma das regras de ouro é se adaptar à cultura local e não tentar impor os seus hábitos ali. Além de aprender coisas novas e desenvolver uma competência mega importante – a flexibilidade -, essa atitude reduz muito as chances de estresse. Certo? Na teoria sim. Duro é praticar. Por isso, sigo com bom humor, disposição para me adaptar, chás de erva cidreira, respiração relaxante, meditação e, claro, artimanhas para driblar esta diferencinha cultural (já estou começando a marcar compromissos com 1 hora antes do que gostaria, contando com a “margem de erro”). E tem tanta coisa legal que o México e a galera aqui tem pra ensinar, que isso vira detalhe!

Viva as diferenças culturais!