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E se?

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Essa é uma pergunta que vira e mexe ronda minha cabeça. Acho que deve acontecer com todo mundo. Ainda que as pessoas, para não mostrar “fraqueza”, digam que não, é impossível não passar por isso, imagino. A vida é cheia de escolhas, há infinitas combinações entre todas elas, o que poderia nos levar a infinitas variáveis. Progressão geométrica a parte, o que quero dizer é que não tem como não pensar, vez ou outra, no que poderia ter sido se…

Essa semana me peguei pensando nisso, em um dia meio chatinho. De coração, não tenho um milímetro de arrependimento e cada segundo aqui, fáceis ou difíceis, tem valido uma vida de experiências. Mas, novamente, inevitável cogitar cenários distintos. “E seu eu tivesse ficado no Brasil?”, “E se eu tivesse vindo, mas de outra maneira?”. Os pensamentos não duraram muito, mas tempo suficiente pra me fazer pensar que é uma grande perda de tempo e um atraso de vida pensar nisso. Ainda que eu saiba que vai me passar outras vezes e, sim, me permito passar por isso. Por quê não? (ultimamente tudo é filosofia pra mim…rs)

Essa é outra armadilha que as mudanças de vida nos colocam, mas tenho aprendido que o antídoto pra isso é simplesmente não pensar (ao menos tentar). Uma porque se ficarmos pensando em todos os “e se” da vida, verdadeiramente vamos ficar enlouquecidos. Segundo ponto é que simplesmente não podemos fazer nada com o que passou e as consequências das nossas decisões. Ou seja, vamos pensar pra frente, no que está por vir, que é do que temos certo controle.

Não basta mudar, é preciso também abrir a cabeça

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Sumi, não nego. Mas é que esta nova vida de estudante, profissional, “esposa” e responsável por uma casa (pra não dizer dona de casa) bagunçou minha rotina (que já estava quase encaminhadinha). Mas, aos poucos coloco meu dia-a-dia nos trilhos.

Já passei fases piores, mas confesso que há dias que tudo isso me causa muita ansiedade: por não conseguir fazer tudo o que quero, por não estar ainda no ritmo que eu gostaria, enfim. Mas esta semana ouvi de dois profissionais que respeito muito que tudo isso é normal e que é preciso mais do que três meses pra que estas coisas comecem a acontecer. Isso me deixa um pouco mais aliviada e com a missão de gerenciar minha ansiedade – ponto importantíssimo para quem quer mudar ou já fez uma mudança.

Mas em uma destas conversas que tive esta semana com a Nany, uma querida amiga (que além de uma pessoa com uma bagagem incrível, tem experiência em mudanças e suas implicações, já que viveu isso ao lado do marido, o Nélio, história que já contei aqui) me fez acender uma luz amarela. Ela me disse uma coisa que ainda não tinha pensado: quando mudamos de vida, de trabalho, de rotina ou o que quer que seja, uma forma natural de lidar com isso é nos mantermos presos aos nossas antigas crenças e costumes. Eu particularmente acho que essa é uma maneira inconsciente de nos sentirmos seguros diante de transformações muito grandes.

Enquanto ela falava, eu fazia uma análise rápida dos meus últimos três meses. E percebi que tenho feito isso! Mesmo tendo mergulhado de cabeça nesta mudança e esteja super contente com minha escolha, para algumas coisas minha cabeça continua funcionando da mesma forma. Ainda tenho na cabeça o perfil da “Renata antiga”, continuo lendo revistas de negócio e carreira como se fossem meus únicos interesses, esperando os mesmos resultados que tinha anteriormente e tentando repetir aqui no México meu modelo de vida antigo no Brasil. Isso é um erro, claro! Fazendo isso posso estar deixando passar outras oportunidades que não estou enxergando, porque continuo com os “óculos do passado”. Afinal, vivo dizendo aqui que mudar é se abrir ao novo (o que de fato acredito). Mas percebi que caí na armadilha da mudança, como boa parte das pessoas que mudam.

O desafio agora é maior, porque além de pensar coisas novas, como tenho feito, preciso me policiar para que meus velhos moldes não sabotem meus novos rumos em construção. Assim como a Nany me acendeu a luz (obrigada, minha amiga!) para isso, espero que este post também seja útil para quem quer dar uma virada (ou já a fez). Mais do que mudar de rumos, é preciso que a cabeça vá para o mesmo lado! #ficaadica

Vivendo o México

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E aí, recuperados das festas? Mesmo sem muito descanso, deu pra aproveitar um pouquinho. Nestes dias eu curto ainda mais estar aqui, porque viver festas ou comemorações tradicionais em uma cultura diferente (ainda mais a mexicana) é impagável!

Por exemplo, aqui, mais importante do que o bom velhinho são os três reis magos. Poderia apostar que as crianças vibram mais com o “trio parada dura” do que com a chegada do Noel. Não é pra menos, já que quem ganha presentes no natal, recebem apenas um regalo (em geral roupa). Já no dia 06 de janeiro, dia de Reis, são três mimos, um de cada maguinho, simbolizando os presentes que deram a Jesus. E aí, sim, os brinquedos rolam soltos – não à toa as promoções começam só depois disso. Ah, e você pode deixar três sapatos na árvore pra que eles deixem os presentes ali…a versão mais “casual” da botinha vermelha. Claro, isso não é regra, mas de forma geral é assim que acontece. Aliás, jamais me esquecerei da minha primeira interação com esta cultura, em janeiro do ano passado aqui…haviam três pessoas vestidas de reis magos dançando Shakira pra criançada, que vibrava!!! Sensacional.

Além dos presentes, no dia 06 tem a tradicional comilança da Rosca de Reyes. É uma rosca doce, coberta por frutas cristalizadas, crosta de açúcar e goiabada, que é acompanhada de uma bebida chamada atole ou atol (espécie de chocolate quente pré-hispânico, feito de milho). Por aqui só se fala (e vende) isso, aonde quer que você vá. E tem de todos os tamanhos. Desde as mais pequenas às gigantes. Na empresa onde meu noivo trabalha, por exemplo, o pessoal pára o trabalho pra comer a rosca e tomar o atole, com direito a discurso do presidente e tudo mais. É um evento!

A primeira rosca de reis a gente nunca esquece...por isso não aguentei esperar até o dia 06...ops

E os ritos não param por aí. Reza a tradição que dentro da rosca devem ter bonequinhos (simbolizam o menino Jesus), sim, como estes da foto abaixo. Eles ficam escondidos e o “felizardo” que os encontrar fica responsável por oferecer ao pessoal os tamales (uma pamonha de vários sabores, doce ou salgada) no dia 02 de fevereiro, Festa da Candelária (li várias coisas, mas não consegui entender bem do que se trata). Descobri ontem, lendo uma reportagem no jornal, que todo mundo foge do tal boneco. “Como disfrutar a rosca e fugir do bonequinho”, dizia a chamada.

Bonecos que simbolizam o menino Jesus: são escondidos dentro da rosca e quem encontrar deve convidar os amigos para comer tamales e tomar atole no dia 2 de fevereiro...aqui em casa quem encontrou fui eu!

Viver estas e outras experiências é que faz com que minha mudança esteja valendo cada segundinho. Além das histórias pra contar, vou guardar (e quem sabe replicar) cada uma delas pra sempre!

Ah, em tempo, hoje é um dia muito feliz, de mais uma etapa cumprida. Saiu meu visto de permanência. Já não sou mais uma imigrante….pequenas conquistas, grandes sensações! =o)

A vida é hoje!!! Por que não?

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Esta música é uma das preferidas da minha mãe. Mais do que ouvir e matar um pouco a saudade dela, resolvi começar assim este post, porque a letra é incrível e tem tudo a ver com o tema de hoje. Vale MUITO a pena ouvir, quantas vezes for!

Tinha um texto preparado, mas mudei os planos com a notícia que recebi da minha amiga Valéria (uma jornalista que conheci trabalhando). Ela me contou sobre a morte súbita de um executivo com quem trabalhou e que eu entrevistei algumas vezes. Este executivo, o Pedro, tinha pouco mais de 30 anos e na sexta-feira teve um infarto fulminante.

Escrevo sobre isso não para criar um climão, mas porque histórias como essa ajudam a refletir sobre o que fazemos das nossas vidas, do nosso tempo e do nosso poder de escolha. Não conhecia muito o Pedro, não sei quantas horas trabalhava por dia, nem se tinha outras atividades. Mas sei que o trabalho era uma de suas prioridades. Conheci muitos profissionais que perderam o vínculo com a vida fora do escritório. Muitas vezes eles deixam de arriscar, de viver histórias diferentes, de sair da zona de conforto e de buscar coisas novas, por medo de perder a pseudo estabilidade e segurança que o trabalho traz.

Independente da trajetória do Pedro – que pode ter sido cheia de mudanças e busca pelo novo -, sua morte precoce me dá ainda mais certeza de que tomei a decisão correta ao “arriscar”. Não queria passar o resto da minha história frustrada por não ter vivido o que estou vivendo agora. Porque a vida é hoje e o que vale são nossas experiências e os exemplos que deixamos. Que o Pedro encontre descanso e aproveite bem as novas coisas que estão por vir, aonde quer que esteja!

PS: Minha amiga Val mora hoje em Rennes, na França. É uma guerreira que também fez uma grande e inspiradora mudança, que um dia conto pra vocês!

Pequenas conquistas, grandes sensações!

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Assistindo a uma série americana, foi inevitável pensar sobre meu momento atual. Em um dos episódios os personagens falavam sobre “primeiras vezes”, sem, necessariamente, conotação sexual. Quando se faz uma mudança radical de vida e carreira como a que eu fiz, de presente você ganha a oportunidade de viver “primeiras vezes” novamente. A primeira vez que peguei um ônibus sozinha, a primeira vez que fui comprar coisas sozinha, a primeira vez que tive que resolver um problema sozinha (em outro idioma, em outro país), meu primeiro almoço “de negócios”, a primeira amizade, o primeiro saque de dinheiro com o primeiro cartão de banco (ok, talvez para mulheres isso tenha um valor um pouco maior…rs). Sensações indescritíveis, apesar de serem pequenos e corriqueiros feitos.

Todas essas coisas parecem bobas, mas não são. Elas representam a chance de reaprender coisas e de valorizar pequenos momentos, pequenas conquistas. É como começar do zero e dar os primeiros passos. E essa sensação, quando bem aproveitada, não tem preço.

Hoje consigo entender alguns conselhos que recebi quando planejava minha viagem. Há duas pessoas em especial cujas palavras me recordo todos os dias: O Zé Eduardo, meu amigo e chefe na VOCÊ S/A (que passou um ano em NY estudando) e um dos meus mentores de carreira, Sérgio Chaia, que hoje é presidente da Nextel. O Zé sempre deu a maior força e me dizia algo que faz todo sentido agora. A experiência de morar fora te transforma como pessoa, independente do que você faz (trabalho, estudo, etc). E as palavras de incentivo do Sergio foram ‘a cereja do bolo’: mesmo que tudo dê errado, já deu certo!

Tenho certeza disso!