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Sinais de mudança

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Cada vez ouço mais e mais as pessoas dizendo que precisam mudar. Acho que diversos fatores contribuem para isso, mas certamente um deles é a maior disponibilidade para isso (mais oferta de emprego, maior facilidade de viabilizar viagens, mais exemplos a serem seguidos, etc). Mudar é legal, mas como sempre digo aqui, tem que ter um propósito. Não é mudar por mudar. Isso é impulsividade e pode resultar em uma mega frustração e arrependimento mais pra frente.

Uma coisa que sempre me intriga é: como saber se essa mudança está “fazendo efeito” e trazendo alguma mudança real pra mim? Que história vou contar quando voltar para o Brasil? E, de tanto pensar sobre isso e buscar respostas pra isso, resolvi listar alguns sutis sinais que podem indicar que você mudou (e que isso está, de alguma maneira, surtindo efeito na sua vida):

1. Frio na barriga: há algum tempo fiz um post sobre a oportunidade de reviver “primeiras vezes” (primeiro dia de trabalho, primeira saída de casa sozinho (a),…). Sentir esse friozinho na barriga por estar ‘estreando’ é um sinal de que sua mudança está mexendo com você, fazendo com que faça coisas diferentes

2. Medo e insegurança: também está relacionado ao frio na barriga. Quando ficamos muito tempo fazendo a mesma coisa, condicionados, não nos damos conta de que aquilo já não é mais um desafio. Sentir aquela insegurança é um sinal de que você está saindo da sua zona de conforto. Isso é bom.

3. Mudar velhos hábitos e pensamentos: talvez não seja fácil de notar, mas quando mudamos alguma coisa, automaticamente mudamos também hábitos e, as vezes, até crenças. Não significa que nos tornaremos outras pessoas, com outros valores. Longe disso. Mas você passa a se permitir fazer coisas que antes não fazia. E também deixa de querer coisas que queria antes. Você redefine suas prioridades de forma natural.

4. Querer mudar e mudar cada vez mais: costumo dizer que quem faz uma grande mudança na vida é picado pelo “mosquitinho da mudança constante”. Comigo foi assim e sinto isso observando outras pessoas que o fizeram. Se mudar é um grande paradigma – mesmo em diferentes situações e proporções – uma vez tomada a decisão, ela se torna algo mais corriqueiro e simples. É como se não houvesse mais limite e você fica aberto o mudar sempre que preciso. E a boa notícia é que isso acontece sem perceberemos, sem sofrimento.

5. Ah, o novo: por fim, tem a sensação de estar aprendendo coisas novas o tempo todo. Parece clichê, mas não é. Só hoje me dou conta de como não nos damos conta do momento em que batemos a cabeça no topo (não me refiro a cargos necessariamente, mas há diversos topos em diversas instâncias) e que já não aprendemos coisas novas. Mas quando mudamos de ares, é incrível esta sensação – até um pouco desesperadora, às vezes, pelo excesso de informação – de renovação.

Uma coisa que ouvi de um amigo antes de vir par cá e que virou meu lema: “Mudança boa é aquela que gera uma história pra contar”. Qual é (ou será) a sua?

 

(OBS: se alguém tiver tópicos extras pra adicionar, compartilha por comentário ou e-mail que eu publico no blog!!!!)

 

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No meio do caminho têm…milhões de tentações. Prepare-se!

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Nossa, tinha até perdido a mão de como escrever aqui. Peço miiiiil desculpas pelo sumiço, mas minha ida – a trabalho – para o Brasil e o retorno (quase três meses no total) foram infinitamente mais corridos do que eu havia imaginado. Tinha perdido o ritmo de trabalhar frenéticamente. Mas, acreditem, é como andar de bicicleta. Por isso que, uma vez optado por mudar, é preciso colocar muita atenção para não cair em tentação e dar aquela escorregadinha (tipo crise de abstinência de um vício qualquer).

Tentação, aliás, é o tema que eu escolhi para recomeçar meus posts nesta primeira segunda-feira de setembro (todos os começos e recomeços, afinal, são tradicionalmente às segundas….dieta, parar de fumar, ir pra academia, etc). Há tempos quero escrever sobre isso no blog e agora é a hora!

Tenho descoberto que mais difícil do que mudar é resistir às tentações que surgem no caminho. Falo por mim e pelas pessoas que conheço que passaram por grandes mudanças na vida (por opção). Isso acontece porque junto com as mudanças, vem a insegurança, o medo. E, no meio do caminho, quase sempre aparece alguma coisa que te promete levar pra zona de conforto novamente. Como resistir?

Desde que optei por encarar esta nova jornada, já recebi mais propostas de trabalho – no Brasil, claro – do que em toda minha trajetória profissional, acreditem ou não. Parece o Murphy ali na espreita ou a vida mesmo querendo me testar. Em uma das propostas o convite era pra fazer uma coisa que há tempos venho pensando em fazer, com um cargo bacana e um salário compatível. Lembro como se fosse hoje: foram 30 minutos de umas lágrimas despretensiosas e praticamente uma noite em claro. Só pensando.

E aí vem a história de uma amiga, que passou exatamente a mesma situação. Resolveu radicalizar e, quase semanalmente, recebia convites para um emprego bacanudo aqui, outro ali. E passava pelo mesmo.

Em um dos casos lembro que consultei um grande amigo, um alto executivo de RH de uma empresa super famosa que tive o privilégio de conhecer (e de poder contar sempre que preciso), sobre o que deveria fazer. na verdade eu já tinha me decidido, mas queria “jogar um verde” pra ver se eu tinha tomado a decisão certa. E a resposta dele foi: “quanto mais ‘nãos’ na carreira um profissional dá em prol de um projeto, um plano de carreira e vida, mais valorizado ele será, porque vê-se que é um profissional com propósitos firmes”.

As palavras dele forma meu alento – e continuam até hoje quando penso em mudar o curso das coisas por qualquer motivo que seja. E por isso resolvi compartilhar esta experiência tão íntima, para que o conselho dele possa também ajudar outras pessoas que venham a passar por isso. E minha dica pessoal é: primeiro, antes de mudar, avalie porque você quer esta mudança e o que espera com ela; segundo, mudou? Então tenha sempre em mente o por quê da mudança. Essas duas coisas certamente vão ajudar a resistir (ou não) às tentações que certamente vão aparecer no seu caminho!

Boa semana a todos e espero não demorar mais taaaanto tempo pra aparecer!

Tajín: tem como não amar???

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Dia 19 de março foi feriado no México. Na verdade o feriado foi dia 21, uma quarta, mas aqui há o costume (A-MO!!!) de jogar para segunda ou sexta um feriado que caia durante a semana (essa moda podia pegar, não!?). Resolvemos fazer um programinha por aqui, para conhecer mais alguma parte do México. Mas, como bons brasileiros, deixamos para os 45 do segundo tempo e, acreditem, já não haviam mais hotéis disponíveis nos nossos destinos elegidos. Então tivemos que ir no “pode ser” e compramos um pacote nestes sites de compra coletiva pra testar.

Saímos daqui na sexta pela noite e depois de uma dolorida e desconfortável noite de ônibus mal dormida, chegamos à Tecolutla, cidadezinha pesqueira à sudeste da Cidade do México, lá no Golfo do México (ela pertence ao estado de Veracruz). A praia é feinha e o lugar bem simples. Não curti muito. Brasileiro quando vai pra praia no México quer encontrar água cristalina, azuuul, areia branca. No Golfo do México, esquece! Tecolutla é uma praia grande mexicana (pra quem é de SP sabe do que estou falando). Aliás, mais por dentro da cultura mexicana, impossível!

Mas o melhor estava por vir. No domingo fomos visitar uma das mais importantes zonas arqueológicas do México: El Tajín. Fica a uns 50 minutos de Tecolutla, pertinho da cidade de Papantla, cidade famosa pelos tradicionais Voladores de Papantla. É bem bacana, mas as preliminares são bem demoradinhas e chega a encher um pouco.

El Tajín é constituído por aproximadamente 180 pirâmides e construções pré-hispânicas e 17 campos de jogo de bola, numa área de mais ou menos 221 hectares. Mas só 40 pirâmides e 6 campos, em 20 hectares são abertos pra visitação. Gigantesca cidade habitada pelos totonacas (povo dos 3 corações, na língua totonaca)!

Visão de um ponto mais alto en Tajín. O que se vê na foto não é nem metade do que visitamos

A cidade de Tajín (em totonaca, cidade do raio, trovão ou relâmpago) floresceu entre os séculos VI e XII, até ser, acreditam os antropólogos e historiadores, invadida por povos inimigos (Os totonacas eram pacíficos). O que a difere em relação às demais zonas arqueológicas do país é sua arquitetura, com construções cheias de nichos (buraquinhos que parecem janelas). Outro elemento muito presente nas construções e que nos encantou é a greca, que simboliza o vento (com o calor que faz lá, têm mais é que reverenciar qualquer ventinho que sopra…rs)

Um dos edifícios, decorado de ponta a ponta com as características grecas

Mas dentre tantas coisas incríveis, nesta verdadeira viagem no tempo, a Pirâmide dos Nichos, a mais famosa de lá, é de deixar qualquer um boquiaberto. Não nos cansamos de tirar fotos e de ficar ali, contemplando aquela maravilha. Ela se chama assim porque é composta por 365 nichos (os buraquinhos, janelinhas), representando os dias do ano, que para os totonacas era dividido em 18 meses. Me diz como eles conseguiram arquitetar uma coisa dessas com tanta perfeição!?

Outra coisa que traz uma história incrível são os campos de jogo de bola. Esse era um jogo tradicional (pelo o que entendi) entre os povos préhispânicos. Mas, não vamos imaginar um campeonato de bola, gente torcendo (ainda que tenham arquibancadas), briga de torcida. Não. O jogo acontecia em dias festivos, era jogado apenas por homens e o objetivo era acertar num aro vertical a bola de borracha extraída de uma árvore (imagino que a seringueira), que pesava 2,5 kg (as oficiais de futebol pesam cerca de 350 gramos). Com este peso todo, cabeça e pés estavam descartados. O jogo, então, era jogado com cotovelos, quadris e joelhos. Eles traziam protetores e mesmo assim há relatos de que muitos tinham que extrair o sangue pisado do corpo. Ui! Mas o interessante é que este era um jogo de um gol só, tamanha dificuldade em acertar o aro. O cara que acertava a bola era considerado tão, mas tãããão bom, que acreditavam que era um indicado dos deuses. Ganhava dinheiro totonaca? Virava rei do povo? Uma semana de férias? Não. Nada mais justo do que ser sacrificado e ir pra junto dos deuses. Cruz credo!

Agora, diz. Tem como não amar??? São coisas como essa que me encantam aqui no México, esse país tão fascinante!

Ah, já ia esquecer: pra finalizar o dia, depois de mais de 2 horas de caminhada, foto, explicações e muito, mas muito sol na moleira, fomos comprar umas frutinhas vendidas por um montão de mulher. Uma espécie de mercado do ouro das arábias. Elas ficam do lado de fora do parque, separadas por uma corda, enfileiradas e gritando horrores para competir na venda das frutas. E como um bom aperitivo que se preste tem que vir acompanhado de pimenta, por que não né!? Arribaaaaaaaa

O que: zona arqueológica El Tajín
Onde: A sudeste da Cidade do México, no estado de Veracruz (na região do Golfo do México)
Como: Quem vem da cidade do México a melhor forma é pegar um ônibus para Tecolutla ou para Papantla, ambas no estado de Veracruz.
Quanto: 51 pesos mexicanos por pessoa (mais o guia para quem quiser), mas gratuito para menores de 13 anos, professores, estudantes, idosos e aposentados.
Quando: segunda a domingo, de 9 as 17h

Ser mulher…um longo caminho

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Hoje, dia internacional das mulheres, data perfeita para discutir algumas coisas que venho digerindo há algum tempo. Desculpem pelo tamanho do post….hoje me empolguei! Mas tentem ler até o final e deixarem suas opiniões

Começo com duas histórias:

1. A senhora que nos ajuda com a limpeza da casa aqui veio pedir aumento na semana passada. Disse que infelizmente não dava, blablablá. Eis que ela me pergunta: “antes de me dizer não, você não prefere perguntar ao seu marido?”. Fiquei sem fala. Me senti agredida. Mas por outro lado entendi que, na casa dela, a relação deve ser assim. Homens são os donos do território e dão a última palavra. E ela, claro, não “respeita” a opinião de uma outra mulher como definitiva. Questão cultural, não exclusiva dela, infelizmente.

2. Logo que cheguei aqui vi propagandas por toda a cidade sobre uma tal Expo Mulher, com patrocínio de empresas de peso. Fiquei curiosa e interessada….até encontrar a programação. Faziam parte dela temas como: “seja uma esposa perfeita”, “como agradar seu marido na cama”, “como ser a mulher que seu marido busca”, etc…estamos falando de um evento, no mínimo, para classe média, que fique claro!

Os dois casos mostram algo que cada vez mais se mostra uma realidade aqui no México. O papel da mulher e a forma como elas mesmas se vêem ainda (não é uma generalização) segue um padrão antigo, deturpado. Nesse ponto, acho que nós, brasileiras, estamos um passo à frente. De forma geral, já entendemos e conquistamos nosso espaço e já lidamos melhor com dilemas como maternidade, carreira, casamento, individualidade, ou ao menos estamos no caminho. Aqui, também vejo muitas mulheres em cargos de comando e uma nova geração fazendo carreira. Mas ao mesmo tempo sinto o machismo no ar. Desde pequenas coisas como umas cantadas nas ruas (posso dizer que elas beiram o constrangimento, a humilhação) a grandes coisas como violência doméstica ou a organização de eventos como esse que citei, com conteúdo tão equivocado (pra ser educada).

Mas, vou além. No Brasil, quando saímos dos grandes centros, especialmente do sudeste (SP e RJ), a situação não é muuuito diferente. Claro, não é uma generalização. Pela VOCÊ S/A e pelo Guia VOCÊ S/A-EXAME – As Melhores Empresas Para Você Trabalhar tive a oportunidade de viajar por praticamente todo o Brasil, de norte a sul. Passei por grandes cidades e também por outras tão pequenas cujo acesso era somente via barco ou “teco-teco”. Nunca fui a fundo no tema, mas tive oportunidade de ouvir discursos beirando o machismo, por parte de homens e, pior, de muitas mulheres. Triste realidade.

Uma última coisa que queria comentar é este projeto de lei para garantir que homens e mulheres ganhem o mesmo salário. Não tenho uma opinião 100% formada sobre esse assunto. Mas trabalhando sete anos com o mundo corporativo e com recursos humanos, não seria leviana de dizer que salários diferentes para homens e mulheres é coisa do passado. São minoria, mas ainda existem casos como esse. O fato é que – me corrijam meus amigos de RH se estiver errada – na “ciência” de tratar com pessoas e com carreiras, 2+2 quase nunca é igual a 4. Quero dizer que essa nova lei, se aprovada, não deve tratar o tema de forma tão simples, porque ele não é! Longe de defender as empresas, mas acho que há muitos poréns nessa equação, que devem ser levados em conta para que não se cometa erros graves: experiência, competência, comportamento, etc. E, por fim, questiono essa estratégia protecionista. Será que é realmente esse tipo de ajuda que as mulheres precisam para se consolidarem ainda mais no mercado. Não seria mais útil, por exemplo, uma reforma trabalhista que viabilizasse e legalizasse o home office ou outras práticas, a homens e mulheres, para que possam estar mais em equilíbrio com seus papéis na vida? Enfim, longa discussão.

O fato, pra concluir, é que ainda temos muito que avançar, ainda que o Brasil esteja nesta vanguarda na América Latina (uma percepção). Sugiro a leitura do blog da minha amiga Nany, que tem estudado a fundo as mulheres (e a relação dos homens com esta “nova mulher”). Vale a leitura: PROJETO MULHERES

E, claro, feliz dia internacional da mulher a todas nós,e aos homens, que têm o privilégio de nos ter ao seu lado, apoiando, incentivando e deixando os dias mais e mais alegres! =o)

Tradições de aniversário mexicanas

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Em tempo. Comemorar aniversário, imagino, não deve variar tanto de país para país. imagino que no oriente, sim, deve ter suas peculiaridades, mas nas bandas ocidentais, a base é a mesma. Mas, pequenas ou grandes, o fato é que estas variações acabam fazendo nosso dia mais feliz quando mudamos de ares e estamos longe da família. Pelo menos fizeram o meu. Então neste post vou contar a vocês as pequenas diferenças (pelo menos as que notei) entre as comemorações de aniversário no Brasil e no México.

A começar pelo “parabéns a você”! Não espere encontrar aqui no México a musiquinha clássica pra hora de cortar o bolo, nos restaurantes ou coisa do tipo. A música entoada aqui pra celebrar os aniversariantes é “Las Mañanitas”. Não se sabe bem a origem da música, ninguém sabe quem foi e qual a importância do Rei Davi cantado ali, mas o fato é que ela é a canção oficial destas datas. Pra quem quiser conhecer, segue uma das versões (são muitas!!!). Ah, como no meu aniversário estavam presentes um mexicano, uma francesa, uma colombiana e dois brasileiros, levamos alguns minutos cantando todas as versões, uma de cada país. Muy divertido!

Outra coisa que difere aqui é a tradição do “corte do bolo”. Pelo o que entendi não tem muito ritual, como escolher um lado, fazer pedido e dar o primeiro pedaço a alguém especial. Em compensação, o aniversariante TEM que comer o primeiro pedaço, digamos, de forma um pouco excêntrica….dando uma abocanhada no bolo inteiro. E, claro, reza a tradição que os espíritos de porco dão aquele “pedala” e acontece uma espécie de “torta na cara”. Segui a tradição e mordi o bolo. Mas com a promessa de que ninguém me afundaria a cara. Deu quase certo, como vocês podem ver abaixo.

Aqui no México a tradição diz que o aniversariante tem que morder o bolo antes de todo mundo...não se pode ir contar as tradições, não é!?

Ah, uma outra coisa em relação ao bolo é que o aniversariante não pode ser quem vai cortar e distribuir os pedaços. Nem o primeiro nem nenhum outro. Parece que dá azar. Costume é costume. Cortei o primeiro pedaço, dei de presente (como no Brasil) e depois fiquei só acompanhando (como no México).

Por fim, tem as piñatas. Ela é mais comum em aniversário de criança. Não vou dizer que não quis usar. Mentira! Queria tudo que tinha direito, mas infelizmente não dei tempo! Nas festinhas infantis ela é presença obrigatória. Tem a tradicional (em forma de estrela de 6 ou 8 pontas) e as de personagens (pra todos os gostos). Pra quem assistiu Chaves na infância sabe do que eu estou falando. É uma espécie de boneco ou forma geralmente de papel marché, cheia de doces e brinquedos. O aniversariante e convidados (não tenho certeza) têm seus olhos vendados e têm que acertar a piñata com um bastão. A ideia é que ela quebre e tenha uma chuva de comidinhas! A origem da piñata é uma história bem legal, mas vai ficar pra um outro post.

As piñatas são indispensáveis nos aniversários (especialmente infantis) por aqui. Tem desde as mais tradicionais (duas primeiras) até as mais arrojadas, de personagens famosos

Se alguém conhecer outras tradições de aniversário de outros países, escreva pra contar!!!

México, um país, muitas crenças

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Ontem foi quarta-feira de cinzas. Ainda que não tenha aqui AQUELE carnaval do Brasil e esta tenha sido uma semana como qualquer outra, a data religiosa foi lembrada e celebrada em terras mexicanas. Eu já sabia sobre este “festejo”, mas só ontem é que me dei conta da proporção.

A primeira menção à data com que me deparei foi uma grande faixa, quase na entrada da minha universidade, com uma pequena foto de Cristo carregando a cruz e abaixo escrito “miércoles de ceniza”. Simples e objetivo. Vale lembrar que não se trata de uma instituição de ensino ligada à igreja. Mal terminava de ler, me vi frente a frente com um grupo de meninas (com uns 17 anos), todas com uma coisa preta no meio da testa. Sabe quando a ficha demooooora a cair? Pensei em trote de universidade, pensei em uma nova moda, despedida de solteira, festinha de aniversário, mil coisas. Até que, tliiinnn…saquei!

As estudantes estavam com uma cruz de cinzas na testa. E assim como elas, uma grande parte das pessoas. Aonde quer que eu fosse, lá estavam as cruzinhas na testa do jovens, velhos, homens e mulheres. Na rua, na universidade, no boliche, no trabalho do meu noivo, nos restaurantes. Uma invasão de cruz negra na testa, daquelas de você se sentir mal por não estar com uma igual! rs

Fui atrás de explicações, claro, e descobri que este é um ritual suuuper praticado aqui neste dia. As pessoas vão à missa e recebem esta cruz, que simboliza arrependimento e um sinal de humildade perante a Deus. Está muito relacionado aquela passagem que diz “das cinzas veio, às cinzas vai”, ou seja, vamos todos pro mesmo lugar, portanto, somos todos iguais.

O Brasil é um país cheio de tradições, cultos, religiões e costumes. Tem o maior percentual de católicos do mundo (68% da população, número que já foi de 99%), mas eu, sinceramente, nunca tinha visto isso antes. Pode até ser que haja isso, mas seria uma grande surpresa pra mim.

Enfim, vivendo e aprendendo! Mais uma pro nosso “álbum” de experiência e conhecimentos novos.

Um espetáculo turístico desconhecido

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Impossível não começar com esta foto. O melhor retrato do que quero contar pra vocês neste post!

Aqui tenho tido a oportunidade de conhecer coisas e lugares que nunca antes havia ouvido. Pode até ser ignorância minha, mas acho que em geral não conhecemos nem 1% do que o México pode oferecer aos turistas.

Este final de semana fomos a um passeio de um dia para o santuário das Mariposas Monarcas. Você deve estar se perguntando “que raios é isso???”….foi o mesmo que nos perguntamos quando nos contaram sobre esta atração pela primeira vez. Recebemos tantas indicações de pessoas diferentes pra ir lá, que resolvemos pagar pra ver.

Resultado: conhecemos um dos espetáculos naturais mais lindo e impressionante de toda minha vida. Imagina uma colônia de mariposas monarcas (essa espécie da foto abaixo), milhares, pra não dizer bilhares delas concentradas em uma parte de floresta do México.

A história é a seguinte. Essas borboletas migram do Canadá até aqui em busca de calor (ainda que para nós, brasileiros, não pareça o melhor lugar pra isso) no outono e inverno. Voam cerca de 5.000 kms e não se reproduzem aqui, só hibernam (mas já li que, sim, se acasalam….). Elas ficam espalhada por 5 santuários, em colônias de aproximadamente 20 milhões de borboletas. Uma infinidade. Fomos a um dos santuários, aqui no Estado do México mesmo (os outros estão no estado de Michoacán), um dos 3 abertos ao turismo. Depois de subir uma trilha por uns 50 minutos, lá estão elas.

A quantidade de borboletas batendo asas ao mesmo tempo é inimaginável. Há árvores e árvores forradas por elas (como na foto abaixo, que não está muito boa, mas dá uma ideia) e ainda que os visitantes não façam muito silêncio, impossível não ouvir o som das milhares de asas batendo ao mesmo tempo. Incrível!!!

Uma infinidade de borboletas junta nos galhos das árvores, formando verdadeiros aglomerados

Com zoom, as mariposas aglomeradas em um galho

Contemplamos as lindonas por uns 15 minutos (tempo máximo de permanência por pessoa) e descemos acompanhados por elas, já que fazia calor e, nestas condições, descem a floresta em busca de água. Mas o melhor estava por vir. Quando saem da mata, atravessam (no lugar onde visitamos) pela estrada, transformando-a em palco de um verdadeiro espetáculo da natureza (fotos ao final do post). Os olhos quase não podem acreditar na quantidade de borboletas que voam ao mesmo tempo por ali. Tivemos que descer do ônibus para tirar fotos. Para se ter uma ideia, os carros são obrigados a andar a no máximo 15 kms por hora, para não atropelar muitas delas (porque uma ou outra é inevitável, infelizmente).

Para mim, é uma verdadeira atração turística, como uma praia do Caribe, ruínas de pirâmides ou coisas do tipo. O passeio vale a pena e está cerca de 3 horas da Cidade do México. Ah, claro, e acontece de outubro a março!

Mais uma doce surpresa que conhecemos aqui. Certamente nunca teríamos ouvido falar disso, não fosse essa experiência de viver no México!