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México, um país, muitas crenças

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Ontem foi quarta-feira de cinzas. Ainda que não tenha aqui AQUELE carnaval do Brasil e esta tenha sido uma semana como qualquer outra, a data religiosa foi lembrada e celebrada em terras mexicanas. Eu já sabia sobre este “festejo”, mas só ontem é que me dei conta da proporção.

A primeira menção à data com que me deparei foi uma grande faixa, quase na entrada da minha universidade, com uma pequena foto de Cristo carregando a cruz e abaixo escrito “miércoles de ceniza”. Simples e objetivo. Vale lembrar que não se trata de uma instituição de ensino ligada à igreja. Mal terminava de ler, me vi frente a frente com um grupo de meninas (com uns 17 anos), todas com uma coisa preta no meio da testa. Sabe quando a ficha demooooora a cair? Pensei em trote de universidade, pensei em uma nova moda, despedida de solteira, festinha de aniversário, mil coisas. Até que, tliiinnn…saquei!

As estudantes estavam com uma cruz de cinzas na testa. E assim como elas, uma grande parte das pessoas. Aonde quer que eu fosse, lá estavam as cruzinhas na testa do jovens, velhos, homens e mulheres. Na rua, na universidade, no boliche, no trabalho do meu noivo, nos restaurantes. Uma invasão de cruz negra na testa, daquelas de você se sentir mal por não estar com uma igual! rs

Fui atrás de explicações, claro, e descobri que este é um ritual suuuper praticado aqui neste dia. As pessoas vão à missa e recebem esta cruz, que simboliza arrependimento e um sinal de humildade perante a Deus. Está muito relacionado aquela passagem que diz “das cinzas veio, às cinzas vai”, ou seja, vamos todos pro mesmo lugar, portanto, somos todos iguais.

O Brasil é um país cheio de tradições, cultos, religiões e costumes. Tem o maior percentual de católicos do mundo (68% da população, número que já foi de 99%), mas eu, sinceramente, nunca tinha visto isso antes. Pode até ser que haja isso, mas seria uma grande surpresa pra mim.

Enfim, vivendo e aprendendo! Mais uma pro nosso “álbum” de experiência e conhecimentos novos.

Um espetáculo turístico desconhecido

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Impossível não começar com esta foto. O melhor retrato do que quero contar pra vocês neste post!

Aqui tenho tido a oportunidade de conhecer coisas e lugares que nunca antes havia ouvido. Pode até ser ignorância minha, mas acho que em geral não conhecemos nem 1% do que o México pode oferecer aos turistas.

Este final de semana fomos a um passeio de um dia para o santuário das Mariposas Monarcas. Você deve estar se perguntando “que raios é isso???”….foi o mesmo que nos perguntamos quando nos contaram sobre esta atração pela primeira vez. Recebemos tantas indicações de pessoas diferentes pra ir lá, que resolvemos pagar pra ver.

Resultado: conhecemos um dos espetáculos naturais mais lindo e impressionante de toda minha vida. Imagina uma colônia de mariposas monarcas (essa espécie da foto abaixo), milhares, pra não dizer bilhares delas concentradas em uma parte de floresta do México.

A história é a seguinte. Essas borboletas migram do Canadá até aqui em busca de calor (ainda que para nós, brasileiros, não pareça o melhor lugar pra isso) no outono e inverno. Voam cerca de 5.000 kms e não se reproduzem aqui, só hibernam (mas já li que, sim, se acasalam….). Elas ficam espalhada por 5 santuários, em colônias de aproximadamente 20 milhões de borboletas. Uma infinidade. Fomos a um dos santuários, aqui no Estado do México mesmo (os outros estão no estado de Michoacán), um dos 3 abertos ao turismo. Depois de subir uma trilha por uns 50 minutos, lá estão elas.

A quantidade de borboletas batendo asas ao mesmo tempo é inimaginável. Há árvores e árvores forradas por elas (como na foto abaixo, que não está muito boa, mas dá uma ideia) e ainda que os visitantes não façam muito silêncio, impossível não ouvir o som das milhares de asas batendo ao mesmo tempo. Incrível!!!

Uma infinidade de borboletas junta nos galhos das árvores, formando verdadeiros aglomerados

Com zoom, as mariposas aglomeradas em um galho

Contemplamos as lindonas por uns 15 minutos (tempo máximo de permanência por pessoa) e descemos acompanhados por elas, já que fazia calor e, nestas condições, descem a floresta em busca de água. Mas o melhor estava por vir. Quando saem da mata, atravessam (no lugar onde visitamos) pela estrada, transformando-a em palco de um verdadeiro espetáculo da natureza (fotos ao final do post). Os olhos quase não podem acreditar na quantidade de borboletas que voam ao mesmo tempo por ali. Tivemos que descer do ônibus para tirar fotos. Para se ter uma ideia, os carros são obrigados a andar a no máximo 15 kms por hora, para não atropelar muitas delas (porque uma ou outra é inevitável, infelizmente).

Para mim, é uma verdadeira atração turística, como uma praia do Caribe, ruínas de pirâmides ou coisas do tipo. O passeio vale a pena e está cerca de 3 horas da Cidade do México. Ah, claro, e acontece de outubro a março!

Mais uma doce surpresa que conhecemos aqui. Certamente nunca teríamos ouvido falar disso, não fosse essa experiência de viver no México!

Não basta mudar, é preciso também abrir a cabeça

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Sumi, não nego. Mas é que esta nova vida de estudante, profissional, “esposa” e responsável por uma casa (pra não dizer dona de casa) bagunçou minha rotina (que já estava quase encaminhadinha). Mas, aos poucos coloco meu dia-a-dia nos trilhos.

Já passei fases piores, mas confesso que há dias que tudo isso me causa muita ansiedade: por não conseguir fazer tudo o que quero, por não estar ainda no ritmo que eu gostaria, enfim. Mas esta semana ouvi de dois profissionais que respeito muito que tudo isso é normal e que é preciso mais do que três meses pra que estas coisas comecem a acontecer. Isso me deixa um pouco mais aliviada e com a missão de gerenciar minha ansiedade – ponto importantíssimo para quem quer mudar ou já fez uma mudança.

Mas em uma destas conversas que tive esta semana com a Nany, uma querida amiga (que além de uma pessoa com uma bagagem incrível, tem experiência em mudanças e suas implicações, já que viveu isso ao lado do marido, o Nélio, história que já contei aqui) me fez acender uma luz amarela. Ela me disse uma coisa que ainda não tinha pensado: quando mudamos de vida, de trabalho, de rotina ou o que quer que seja, uma forma natural de lidar com isso é nos mantermos presos aos nossas antigas crenças e costumes. Eu particularmente acho que essa é uma maneira inconsciente de nos sentirmos seguros diante de transformações muito grandes.

Enquanto ela falava, eu fazia uma análise rápida dos meus últimos três meses. E percebi que tenho feito isso! Mesmo tendo mergulhado de cabeça nesta mudança e esteja super contente com minha escolha, para algumas coisas minha cabeça continua funcionando da mesma forma. Ainda tenho na cabeça o perfil da “Renata antiga”, continuo lendo revistas de negócio e carreira como se fossem meus únicos interesses, esperando os mesmos resultados que tinha anteriormente e tentando repetir aqui no México meu modelo de vida antigo no Brasil. Isso é um erro, claro! Fazendo isso posso estar deixando passar outras oportunidades que não estou enxergando, porque continuo com os “óculos do passado”. Afinal, vivo dizendo aqui que mudar é se abrir ao novo (o que de fato acredito). Mas percebi que caí na armadilha da mudança, como boa parte das pessoas que mudam.

O desafio agora é maior, porque além de pensar coisas novas, como tenho feito, preciso me policiar para que meus velhos moldes não sabotem meus novos rumos em construção. Assim como a Nany me acendeu a luz (obrigada, minha amiga!) para isso, espero que este post também seja útil para quem quer dar uma virada (ou já a fez). Mais do que mudar de rumos, é preciso que a cabeça vá para o mesmo lado! #ficaadica

Conhecendo (e convivendo) uma triste realidade

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Na minha primeira vinda ao México já notei algo que, depois, soube que era uma realidade aqui, visível a olho nú: a desigualdade social. Nas ruas, nos supermercados, nos shoppings, aonde quer que vá está ali, pra quem quiser ver. Meu primeiro choque foi em uma festa no ano novo de 2010-2011. Restaurante bacana (acessível aos bolsos brasileiros, que valem uns 20% mais aqui), festa bonita e gente de grana. E aí estava o ponto. As únicas pessoas dali que tinham aqueles traços indígenas, condizentes com o estereótipo de mexicano que conhecemos, eram os garçons.

O que mais choca não é a diferença ou os traços físicos associados a isso, mas o fato de aqui não ter meio termo. Ou você é pobre ou é rico (ah, ou é milionário). Bom, como jornalista, provo isso com números. Em dezembro foi publicado em um jornal local que o gap entre ricos e pobres está crescendo ainda mais no México, um dos países com maior desigualdade social no mundo. A renda de 10% da população mais rica daqui é 26 (sim, 26!!!) vezes maior que a de 10% da população mais pobre.

Sempre achei que no Brasil ainda fôssemos muito preconceituosos (vide o tal caso do aluno da USP agredido por um policial), com muita diferença de classes. Mas esta foi uma das primeiras crenças que caíram por terra quando me mudei. Longe de mim fixar aqui com discurso nacionalista ou de crítica ao México, ao contrário. Quero apenas ressaltar como ao mudar de rumos, ganhamos novos horizontes, derrubamos tabus e, acima de tudo, aprendemos a ver as coisas com outros olhos. Um bem enorme pra vida e pra carreira, com certeza!

O primeiro dia de aula!

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Primeiros dias são sempre cheio de adrenalina e expectativas. Seja aos 5, 15, 30 ou 60 anos, imagino, seja de trabalho, escola. É um (re) começo, gente nova, novos conhecimentos e uma série de novidades que nem temos ideia. Hoje, mais uma vez, passei por esta experiência. Fui ao meu primeiro dia de aula no curso de espanhol. Acordei cedo, com medo de perder a hora, corri, para que tudo saísse bem. Ao entrar na universidade já senti aquele cheiro de escola. Não sei explicar. Talvez seja puro devaneio e pegadinha do meu cérebro, mas pra mim todas as escolas tem aquele mesmo cheiro….dá-lhe memória olfativa!
Foi como emergir e tomar fôlego. Não que eu me sentisse sufocada, ao contrário. Mas não posso negar que estar ali naquele ambiente universitário, descobrindo pessoas (a maioria esmagadora mais nova do que eu), salas, horários, ambientes – tudo novo – deu certa graça ao meu dia. Uma sensação de liberdade. Mais ainda, de vitória. Porque, não sei quanto a vocês, mas eu tenho uma tendência enorme a empurrar com a barriga tudo aquilo que de alguma forma me dá medo. Uma desculpinha aqui, outra ali. Pra mim mesma, o que é pior. Mas imagino que não estou sozinha nessa e isso passa em menor ou maior grau com muita gente.
Mas o grande barato desta “nova realidade” é que isso não funciona e, por bem ou por mal, tenho que enfrentar meus fantasmas e inseguranças – ou não saio do lugar, certo? Tem sido um bom exercício e aprendizado! Encarar de frente o desconhecido, o desconfortável, o novo, é muito gratificante (falo por mim, claro), principalmente depois que passa…rs. Pra mim, a melhor analogia seria com os exercícios físicos (de novo, falo por mim). Não gosto de ir, adio, tenho preguiça, mas quando vou, vale a pena pela sensação de conquista por ter vencido mais uma etapa (sem contar a “danada” da endorfina saltitando no corpo). Vamos ver o que me espera daqui pra frente.

Uma hora a ficha cai

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Bom, primeiro desculpe pelo sumiço. Confesso, esta coisa de festas, ceia, deu preguiça! Mas nesta correria toda, véspera da chegada de um novo ano, tenho pensado sobre muitas coisas. Uma delas é a certeza cada vez maior de que a gente se acostuma com tudo. Nossa ansiedade no meio de uma mudança é tão grande que as vezes não somos capazes de perceber quando as coisas já se acalmaram. Essa ficha caiu no dia 25 agora, dia de natal.

Pra mim o natal sempre foi uma festa gostosa e familiar. Sempre foi da mesma forma: véspera com a família do meu pai e 25 com a da minha mãe. Passava o ano todo esperando esta data e tinha verdadeiros pesadelos toda vez que pensava na possibilidade deste “ritual” mudar. Aos poucos realmente foi mudando. Mas nos últimos dois anos a mudança foi radical. Em 2010 passei meu primeiro natal longe de casa, da minha família. As semanas que antecederam minha viagem pra passar as festas aqui com meu noivo foram angustiantes. Como acontece na maioria das vezes, apesar de uma tristezinha, na hora do “vamos ver” foi mais tranquilo do que imaginei. Mas, este ano, apesar da saudade, foi diferente. É como se essa fosse minha nova realidade. Um novo ritual nasceu!

O que quero dizer é que muitas vezes criamos monstros para dar forma ao ‘novo’. Com isso, deixamos de viver coisas diferentes por puro medo de não se adaptar, medo de alguma coisa que não sabemos exatamente como vai terminar, por não querer abrir mão das nossas certezas, enfim. Um pouco do que tenho falado aqui desde que comecei a escrever o blog. Mas neste natal, me dei conta mais uma vez, de que quando a gente arrisca, passado aquele turbilhão de sensações inicial, as coisas naturalmente se encaixam. E, quando menos se espera, nos damos conta de que aquela nova vida, rascunhada e caricaturada até ali, se tornou nosso “roteiro original”, que pode ser tão ou mais instigante do que o anterior. Essa sensação é única, garanto!

Nota

Engraçado observar como nada é absoluto. Nem nossa vida, nem nossas convicções, que dirá nosso emprego (este, aliás, menos ainda). Por isso bato na tecla de que mudar, ou pelo menos se abrir para o novo, é fundamental.

Há alguns meses, como jornalista, eu estava no papel de entrevistadora de pessoas, contadora de histórias. Hoje, vivo o papel de entrevistada, pelo meu competentíssimo amigo headhunter, Marcelo Cuelar. Ele, aliás, foi muitas vezes entrevistado por mim. Uma inversão de papéis bacana!!! =o)

Quando ele me propôs este “papo”, depois de ler meu blog, nem hesitei. Ele queria mostrar o caso real de alguém que fez uma mudança. E o resultado está aqui no Na Mira do Headhunter. Perguntas muito habilidosas! Vale a pena ler (e acompanhar o blog dele!!!)!

Ironias da vida