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Ser mulher…um longo caminho

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Hoje, dia internacional das mulheres, data perfeita para discutir algumas coisas que venho digerindo há algum tempo. Desculpem pelo tamanho do post….hoje me empolguei! Mas tentem ler até o final e deixarem suas opiniões

Começo com duas histórias:

1. A senhora que nos ajuda com a limpeza da casa aqui veio pedir aumento na semana passada. Disse que infelizmente não dava, blablablá. Eis que ela me pergunta: “antes de me dizer não, você não prefere perguntar ao seu marido?”. Fiquei sem fala. Me senti agredida. Mas por outro lado entendi que, na casa dela, a relação deve ser assim. Homens são os donos do território e dão a última palavra. E ela, claro, não “respeita” a opinião de uma outra mulher como definitiva. Questão cultural, não exclusiva dela, infelizmente.

2. Logo que cheguei aqui vi propagandas por toda a cidade sobre uma tal Expo Mulher, com patrocínio de empresas de peso. Fiquei curiosa e interessada….até encontrar a programação. Faziam parte dela temas como: “seja uma esposa perfeita”, “como agradar seu marido na cama”, “como ser a mulher que seu marido busca”, etc…estamos falando de um evento, no mínimo, para classe média, que fique claro!

Os dois casos mostram algo que cada vez mais se mostra uma realidade aqui no México. O papel da mulher e a forma como elas mesmas se vêem ainda (não é uma generalização) segue um padrão antigo, deturpado. Nesse ponto, acho que nós, brasileiras, estamos um passo à frente. De forma geral, já entendemos e conquistamos nosso espaço e já lidamos melhor com dilemas como maternidade, carreira, casamento, individualidade, ou ao menos estamos no caminho. Aqui, também vejo muitas mulheres em cargos de comando e uma nova geração fazendo carreira. Mas ao mesmo tempo sinto o machismo no ar. Desde pequenas coisas como umas cantadas nas ruas (posso dizer que elas beiram o constrangimento, a humilhação) a grandes coisas como violência doméstica ou a organização de eventos como esse que citei, com conteúdo tão equivocado (pra ser educada).

Mas, vou além. No Brasil, quando saímos dos grandes centros, especialmente do sudeste (SP e RJ), a situação não é muuuito diferente. Claro, não é uma generalização. Pela VOCÊ S/A e pelo Guia VOCÊ S/A-EXAME – As Melhores Empresas Para Você Trabalhar tive a oportunidade de viajar por praticamente todo o Brasil, de norte a sul. Passei por grandes cidades e também por outras tão pequenas cujo acesso era somente via barco ou “teco-teco”. Nunca fui a fundo no tema, mas tive oportunidade de ouvir discursos beirando o machismo, por parte de homens e, pior, de muitas mulheres. Triste realidade.

Uma última coisa que queria comentar é este projeto de lei para garantir que homens e mulheres ganhem o mesmo salário. Não tenho uma opinião 100% formada sobre esse assunto. Mas trabalhando sete anos com o mundo corporativo e com recursos humanos, não seria leviana de dizer que salários diferentes para homens e mulheres é coisa do passado. São minoria, mas ainda existem casos como esse. O fato é que – me corrijam meus amigos de RH se estiver errada – na “ciência” de tratar com pessoas e com carreiras, 2+2 quase nunca é igual a 4. Quero dizer que essa nova lei, se aprovada, não deve tratar o tema de forma tão simples, porque ele não é! Longe de defender as empresas, mas acho que há muitos poréns nessa equação, que devem ser levados em conta para que não se cometa erros graves: experiência, competência, comportamento, etc. E, por fim, questiono essa estratégia protecionista. Será que é realmente esse tipo de ajuda que as mulheres precisam para se consolidarem ainda mais no mercado. Não seria mais útil, por exemplo, uma reforma trabalhista que viabilizasse e legalizasse o home office ou outras práticas, a homens e mulheres, para que possam estar mais em equilíbrio com seus papéis na vida? Enfim, longa discussão.

O fato, pra concluir, é que ainda temos muito que avançar, ainda que o Brasil esteja nesta vanguarda na América Latina (uma percepção). Sugiro a leitura do blog da minha amiga Nany, que tem estudado a fundo as mulheres (e a relação dos homens com esta “nova mulher”). Vale a leitura: PROJETO MULHERES

E, claro, feliz dia internacional da mulher a todas nós,e aos homens, que têm o privilégio de nos ter ao seu lado, apoiando, incentivando e deixando os dias mais e mais alegres! =o)

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O primeiro dia de aula!

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Primeiros dias são sempre cheio de adrenalina e expectativas. Seja aos 5, 15, 30 ou 60 anos, imagino, seja de trabalho, escola. É um (re) começo, gente nova, novos conhecimentos e uma série de novidades que nem temos ideia. Hoje, mais uma vez, passei por esta experiência. Fui ao meu primeiro dia de aula no curso de espanhol. Acordei cedo, com medo de perder a hora, corri, para que tudo saísse bem. Ao entrar na universidade já senti aquele cheiro de escola. Não sei explicar. Talvez seja puro devaneio e pegadinha do meu cérebro, mas pra mim todas as escolas tem aquele mesmo cheiro….dá-lhe memória olfativa!
Foi como emergir e tomar fôlego. Não que eu me sentisse sufocada, ao contrário. Mas não posso negar que estar ali naquele ambiente universitário, descobrindo pessoas (a maioria esmagadora mais nova do que eu), salas, horários, ambientes – tudo novo – deu certa graça ao meu dia. Uma sensação de liberdade. Mais ainda, de vitória. Porque, não sei quanto a vocês, mas eu tenho uma tendência enorme a empurrar com a barriga tudo aquilo que de alguma forma me dá medo. Uma desculpinha aqui, outra ali. Pra mim mesma, o que é pior. Mas imagino que não estou sozinha nessa e isso passa em menor ou maior grau com muita gente.
Mas o grande barato desta “nova realidade” é que isso não funciona e, por bem ou por mal, tenho que enfrentar meus fantasmas e inseguranças – ou não saio do lugar, certo? Tem sido um bom exercício e aprendizado! Encarar de frente o desconhecido, o desconfortável, o novo, é muito gratificante (falo por mim, claro), principalmente depois que passa…rs. Pra mim, a melhor analogia seria com os exercícios físicos (de novo, falo por mim). Não gosto de ir, adio, tenho preguiça, mas quando vou, vale a pena pela sensação de conquista por ter vencido mais uma etapa (sem contar a “danada” da endorfina saltitando no corpo). Vamos ver o que me espera daqui pra frente.