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O assombroso novo

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Esta semana senti novamente aquele medinho, frio na barriga por ter que enfrentar uma nova situação. Passei três dias em um evento sobre investimentos, em outro estado, a convite de uma empresa. Mais do que acompanhar as discussões, fui fazer a cobertura de algumas palestras para a empresa organizadora. Para não perder o costume e para que pudessem conhecer meu trabalho, aceitei a oferta. Também pelo desafio de cobrir um tema novo, em outro idioma e, claro, para conhecer pessoas interessantes por lá. Ainda que esteja super acostumada a este tipo de evento, de cobertura, de networking, não pude evitar a sensação de insegurança, um frio na barriga e pensamentos passageiros de “não vou enfrentar essa”. Foi como seu eu estivesse fazendo aquilo pela primeira vez. Um misto de adrenalina boa com um medo.

Foi um novo e interessante desafio. Ouvir debates sobre um tema tão específico, com dados, números, nomes que jamais havia ouvido, em inglês, com tradução em espanhol. Esse foi o cenário! Não foi fácil, claro. E certamente não fiz tudo o que poderia fazer em condições normais de temperatura e pressão! E daí, né!? É preciso ter paciência e se dar um tempo (este é tema de um post que está por vir).

Também foi bom pra confirmar uma coisa que eu já sabia e que aprendi com uma história que ouvi de uma executiva super conceituada, que em determinado momento resolveu dar uma pausa temporária na carreira. Ela me contou que muitas pessoas com quem se relacionava quando estava no mundo corporativo nem sequer respondiam mais os e-mails ou telefonemas dela na fase sabática. Tempos depois ela voltou ao mercado, a frente de várias empresas. Nada como um dia após o outro, né!? Hoje, ela diz que procura escrever e atender a todos que a procuram, independente de quem seja. Senti isso na pele. Não com pessoas conhecidas, mas com quem estava conhecendo. Algumas delas, quando viam que eu, supostamente, não podia “ajudar”, subitamente se desinteressavam, pediam licença e se retiravam. Me faz rir. Uma pessoa, inclusive, eu estava super interessada, pois tem uma história bacana, um perfil bacana pra oferecer a revistas do Brasil. Mas ela nem sequer me deu seu cartão (mas deu ao pessoal da mesa em que almoçávamos).

Quem quer mudar precisa ter isso em mente, saber que esses medos vão ficar mais frequentes e que muita gente não vai te dar mais tanta bola. Não importa! Para quem não mudou, cuidado com as relações interesseiras e a visão pequena…amanhã esta pessoa pode ser seu chefe ou um player importante para você. Como eu já tinha tudo isso em mente, é sempre mais fácil digerir os sapos e, por isso, passo a frente este aprendizado. O importante é estar confortável e bem resolvido com sua decisão e seguir encarando, dia-a-dia estas borboletas na barriga!

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Não basta mudar, é preciso também abrir a cabeça

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Sumi, não nego. Mas é que esta nova vida de estudante, profissional, “esposa” e responsável por uma casa (pra não dizer dona de casa) bagunçou minha rotina (que já estava quase encaminhadinha). Mas, aos poucos coloco meu dia-a-dia nos trilhos.

Já passei fases piores, mas confesso que há dias que tudo isso me causa muita ansiedade: por não conseguir fazer tudo o que quero, por não estar ainda no ritmo que eu gostaria, enfim. Mas esta semana ouvi de dois profissionais que respeito muito que tudo isso é normal e que é preciso mais do que três meses pra que estas coisas comecem a acontecer. Isso me deixa um pouco mais aliviada e com a missão de gerenciar minha ansiedade – ponto importantíssimo para quem quer mudar ou já fez uma mudança.

Mas em uma destas conversas que tive esta semana com a Nany, uma querida amiga (que além de uma pessoa com uma bagagem incrível, tem experiência em mudanças e suas implicações, já que viveu isso ao lado do marido, o Nélio, história que já contei aqui) me fez acender uma luz amarela. Ela me disse uma coisa que ainda não tinha pensado: quando mudamos de vida, de trabalho, de rotina ou o que quer que seja, uma forma natural de lidar com isso é nos mantermos presos aos nossas antigas crenças e costumes. Eu particularmente acho que essa é uma maneira inconsciente de nos sentirmos seguros diante de transformações muito grandes.

Enquanto ela falava, eu fazia uma análise rápida dos meus últimos três meses. E percebi que tenho feito isso! Mesmo tendo mergulhado de cabeça nesta mudança e esteja super contente com minha escolha, para algumas coisas minha cabeça continua funcionando da mesma forma. Ainda tenho na cabeça o perfil da “Renata antiga”, continuo lendo revistas de negócio e carreira como se fossem meus únicos interesses, esperando os mesmos resultados que tinha anteriormente e tentando repetir aqui no México meu modelo de vida antigo no Brasil. Isso é um erro, claro! Fazendo isso posso estar deixando passar outras oportunidades que não estou enxergando, porque continuo com os “óculos do passado”. Afinal, vivo dizendo aqui que mudar é se abrir ao novo (o que de fato acredito). Mas percebi que caí na armadilha da mudança, como boa parte das pessoas que mudam.

O desafio agora é maior, porque além de pensar coisas novas, como tenho feito, preciso me policiar para que meus velhos moldes não sabotem meus novos rumos em construção. Assim como a Nany me acendeu a luz (obrigada, minha amiga!) para isso, espero que este post também seja útil para quem quer dar uma virada (ou já a fez). Mais do que mudar de rumos, é preciso que a cabeça vá para o mesmo lado! #ficaadica