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Vivendo o México

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E aí, recuperados das festas? Mesmo sem muito descanso, deu pra aproveitar um pouquinho. Nestes dias eu curto ainda mais estar aqui, porque viver festas ou comemorações tradicionais em uma cultura diferente (ainda mais a mexicana) é impagável!

Por exemplo, aqui, mais importante do que o bom velhinho são os três reis magos. Poderia apostar que as crianças vibram mais com o “trio parada dura” do que com a chegada do Noel. Não é pra menos, já que quem ganha presentes no natal, recebem apenas um regalo (em geral roupa). Já no dia 06 de janeiro, dia de Reis, são três mimos, um de cada maguinho, simbolizando os presentes que deram a Jesus. E aí, sim, os brinquedos rolam soltos – não à toa as promoções começam só depois disso. Ah, e você pode deixar três sapatos na árvore pra que eles deixem os presentes ali…a versão mais “casual” da botinha vermelha. Claro, isso não é regra, mas de forma geral é assim que acontece. Aliás, jamais me esquecerei da minha primeira interação com esta cultura, em janeiro do ano passado aqui…haviam três pessoas vestidas de reis magos dançando Shakira pra criançada, que vibrava!!! Sensacional.

Além dos presentes, no dia 06 tem a tradicional comilança da Rosca de Reyes. É uma rosca doce, coberta por frutas cristalizadas, crosta de açúcar e goiabada, que é acompanhada de uma bebida chamada atole ou atol (espécie de chocolate quente pré-hispânico, feito de milho). Por aqui só se fala (e vende) isso, aonde quer que você vá. E tem de todos os tamanhos. Desde as mais pequenas às gigantes. Na empresa onde meu noivo trabalha, por exemplo, o pessoal pára o trabalho pra comer a rosca e tomar o atole, com direito a discurso do presidente e tudo mais. É um evento!

A primeira rosca de reis a gente nunca esquece...por isso não aguentei esperar até o dia 06...ops

E os ritos não param por aí. Reza a tradição que dentro da rosca devem ter bonequinhos (simbolizam o menino Jesus), sim, como estes da foto abaixo. Eles ficam escondidos e o “felizardo” que os encontrar fica responsável por oferecer ao pessoal os tamales (uma pamonha de vários sabores, doce ou salgada) no dia 02 de fevereiro, Festa da Candelária (li várias coisas, mas não consegui entender bem do que se trata). Descobri ontem, lendo uma reportagem no jornal, que todo mundo foge do tal boneco. “Como disfrutar a rosca e fugir do bonequinho”, dizia a chamada.

Bonecos que simbolizam o menino Jesus: são escondidos dentro da rosca e quem encontrar deve convidar os amigos para comer tamales e tomar atole no dia 2 de fevereiro...aqui em casa quem encontrou fui eu!

Viver estas e outras experiências é que faz com que minha mudança esteja valendo cada segundinho. Além das histórias pra contar, vou guardar (e quem sabe replicar) cada uma delas pra sempre!

Ah, em tempo, hoje é um dia muito feliz, de mais uma etapa cumprida. Saiu meu visto de permanência. Já não sou mais uma imigrante….pequenas conquistas, grandes sensações! =o)

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Enfim, o México me deu as boas vindas!!!

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Dizem que para viver no México tem que se acostumar com os tremores de terra. O mexe-mexe é tão comum por aqui que há quem se divirta vendo o lustre balançar e seus cristais refletirem as cores do arco-íris (relato verídico, juro!). Por diversas vezes a tradicional “há quanto tempo você vive aqui?” vem seguida por “e os tremores?”. Sendo assim, já estava me sentindo indesejada aqui por nunca ter passado por isso. Verdade que o bairro onde vivemos é um dos mais altos e (não me perguntem por que) é mais difícil sentir os tremores.

Eis que aconteceu. No último sábado, lá pelas 19h47 o chão do nosso 29o andar começou a sacolejar forte. Acordei meu noivo que cochilava e ficamos encostados na parede – por ironia ele havia feito uns dias antes um treinamento para terremoto, tipo estes de incêndio que fazemos no Brasil. Enquanto pedia pra que aquilo acabasse rápido, só conseguia ver as luminárias ao lado da nossa cama sacudindo (depois ele me disse que a TV ia de um lado pro outro). O terremoto durou 48 segundos. Uma eternidade para marinheiros de primeira viagem como nós. Saí no corredor para ajudar a vizinha que estava em prantos com o cachorrinho na mão e pude ver que não éramos os únicos assustados por ali.

Logo vieram as notícias oficiais, dizendo que estava tudo bem e que não haviam grandes danos à gente e à cidade (depois descobrimos pelos jornais brasileiros que 3 pessoas morreram, mas aqui nada foi dito). De fato nada muito sério se notou pela cidade. Só encontramos esta vidraça quebrada na rua.

Efeitos do terremotos na Cidade do México (10/12/2011)

Já estava até me acostumando com a ideia, até que, conversando com um taxista, descobri que este terremoto foi apenas 1 grau menor do que o de 1985 (que bom que não soube disso antes…glup), o mais devastador até hoje por aqui. Qualquer mexicano tem uma história para contar sobre este tremor, que derrubou a cidade.

Times da época

No final das contas, a experiência acabou rendendo boas histórias. Afinal, como viver no México sem conhecer esta estranha sensação???….que venham os próximos! rs

Ah, se alguém tiver curiosidade de saber mais sobre o famigerado terremoto de 1985, encontrei um documentário bem bacana da Discovery México.
PARTE I
PARTE II
PARTE III
PARTE IV
PARTE V